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Caso dos emails. Benfica queixa-se da perda de adeptos e quebra de receitas

Benfica perdeu a providência cautelar para proibir o FC Porto de divulgar mais emails. No recurso, diz que o clube rival teve acesso a segredos do negócio e que a sua imagem e receita foram afetadas

Mike Hewitt / Getty

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O caso dos emails e a guerra em curso entre FC Porto e Benfica conhece agora um novo episódio. O Benfica alega que está a perder sócios, o fervor clubístico dos adeptos ressente-se e regista quebra nas receitas comerciais por causa das revelações do FC Porto no Porto Canal.

A argumentação consta da petição que clube entregou no Tribunal da Relação do Porto, noticiada este domingo pelo “Jornal de Notícias” (JN), contestando a primeira sentença desfavorável. Na providência cautelar, o clube pedia ao tribunal que proibisse o FC Porto e o seu diretor de comunicação, Francisco Marques, de continuarem a divulgar publicamente emails privados.

Na ação cautelar, o Benfica sustentava a proibição por se sentir alvo "de concorrência desleal". Na altura, o juiz acolheu a argumentação do FC Porto de que no negócio do futebol a concorrência desleal não existe - a clientela (adeptos) não muda para um clube rival por causa da divulgação de mensagens eletrónicas.

No recurso, este domingo revelado pelo JN, surge um fator novo: a peça jurídica fala de "menor apetência comercial" pela marca Benfica e perda de receitas.

Contactado pelo Expresso, Francisco Marques declinou comentar o argumentário do Benfica, dizendo que a resposta será dada no âmbito do processo judicial.

Ligação emocional enfraquece

A contínua divulgação de mensagens de correio eletrónico e a violação de "segredos de negócio" do clube tem provocado um "enfraquecimento da ligação emocional dos adeptos", alega o Benfica. A quebra do fervor clubístico traduz-se "em menor assistência aos jogos, menor apetência comercial e menos receitas", escreve o JN, citando a contestação.

O Benfica reage a "atos de descrédito" praticados pelos portistas e insiste na Relação que se está perante uma efetiva "concorrência desleal".

A ofensiva do FC Porto tem efeitos lesivos na imagem e da componente comercial, como a obtenção de patrocínios. Segundo o Benfica, o objetivo do FC Porto é precisamente esse: "promover o afastamento dos adeptos" através da sua desmoralização e desinteresse, levando a uma menor participação e menor adesão futura ao clube.

Para provar os efeitos perniciosos da campanha, o Benfica recorre aos resultados da última assembleia geral (2016/17): 29,25% de sócios votaram contra o relatório do exercício e 9,37% abstiveram-se. Na época anterior, com piores resultados financeiros, apenas 2,55% dos sócios tinham votado contra.

Segredos de negócio

O recurso refere, em especial, as suspeitas de corrupção lançadas e a ideia de que os últimos títulos foram obtidos de forma fraudulenta - o que garante ser falso - como fatores de desânimo e afastamento da massa adepta.

O Benfica acusa o FC Porto de estar na posse dos seus "segredos de negócio" . Volta a pedir que a divulgação dos emails seja proibida e lhe seja entregue uma cópia integral do material, incluindo a informação acerca contratos de atletas e patrocinadores que o FCP tem na sua posse.

Esta frente é apenas uma linha de uma teia judicial que envolve este caso. O Ministério Publico procedeu a buscas a dirigentes do Benfica, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de corrupção. Um segundo inquérito centra-se na pirataria informática que poderia estar na base do acesso do FC Porto ao servidor informático do clube rival. O Benfica apresentou ainda uma ação de âmbito criminal, por invasão e violação da privacidade.