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A investigação que envolve o “clube querido” de António Costa: “Por uma vez, a violação do segredo de justiça foi fácil de descobrir”

No debate quinzenal no parlamento, o primeiro-ministro - adepto do Benfica - regozijou-se por, "pelo menos por uma vez", ter sido possível descobrir quem violou o segredo de justiça, no âmbito da operação 'e-toupeira'

Expresso e Lusa

ANTÓNIO COTRIM

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Foi Fernando Negrão quem puxou o assunto, entre as muitas perguntas que fez a António Costa no debate quinzenal desta quinta-feira.

No debate quinzenal no parlamento, António Costa foi desafiado pelo líder parlamentar do PSD a esclarecer que medidas tinha o Governo tomado para proteger a segurança do sistema informático da justiça, depois de um funcionário judicial ter sido detido preventivamente no âmbito da operação 'e-toupeira', por suspeitas de ter usado a password de uma magistrada para aceder a processos e depois passar informações ao Benfica.

O primeiro-ministro regozijou-se por, "pelo menos por uma vez", ter sido possível descobrir quem violou o segredo de justiça, no âmbito da operação 'e-toupeira', mas considerou impossível assegurar que não há utilizações indevidas do sistema informático da justiça.

"Nós temos esta informação de um clube que por acaso nos une. Depois da ministra da Justiça ter desvalorizado a situação (...) eu pergunto que medidas já tomou o governo?", questionou Negrão.

O primeiro-ministro começou por responder que, "mesmo tratando-se de um clube querido" a ambos, não iria especular sobre uma matéria em investigação judicial. "Mas, a fazer fé no que vem na comunicação social, eu creio que não há forma alguma de prevenir que alguém que esteja certificado para utilizar o sistema o utilize de forma indevida", afirmou.

"Eu creio que, apesar de tudo, nos devemos regozijar que, pelo menos por uma vez, a violação do segredo de justiça foi fácil de descobrir e pelo menos apontar alguém que o tenha feito", acrescentou Costa.

Na quarta-feira, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, comentou que o que está "hipoteticamente" a suceder, em determinados processos, é a "violação de deveres funcionais" por parte de alguns funcionários, salientando que a aplicação informática Citius é "absolutamente confiável".