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Aventura em Óbidos com o Kia Sorento

O SUV grande da Kia posto à prova num passeio à vila medieval de Óbidos e à lagoa homónima

Rui Cardoso

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Óbidos é uma das mais bonitas e bem conservadas vilas medievais portuguesas amuralhadas, valorizada nestes últimos anos por um bem concebido programa de animação que inclui os festivais de piano e do chocolate. A lagoa vizinha é o resto do vasto golfo que aqui existia até à idade média, de Aljubarrota a São Martinho do Porto, São Pedro de Moel, Alfeizerão e Pederneira. De resto, há desenhos antigos mostrando navios ancorados junto às muralhas da vila.

Como companhia para descobrir este rico património, tanto histórico, como natural, a nova versão do Kia Sorento, o SUV de maiores dimensões da marca coreana. Não sendo um 4x4 tem, apesar de tudo, altura ao solo e tracção suficientes para não ficarmos limitados ao asfalto. Traz de novo, além de um redesenho exterior, uma caixa automática de oito velocidades já aplicada no Grande Turismo da Marca, o Stinger.

Saindo de Lisboa sem pressas e pela estrada nacional, de Torres Vedras para norte entra-se no reino da pêra rocha e dos pomares, com o terreno a tornar-se bastante mais plano até ao Bombarral, zona, também, de grandes e extensos vinhedos. Descobre-se pelo caminho que a nova caixa automática permite tirar melhor partido dos 200 cv do motor turbodiesel, sendo, no entanto difícil fazer muito menos que oito litros aos cem.

A aproximação a Óbidos vindo de sul faz-se atravessando o fértil vale vizinho do Bombarral onde, em Agosto de 1808, se travou a batalha da Roliça, uma das que decidiu (juntamente com a do Vimeiro) o fim da I Invasão Francesa. As muralhas da vila começam a avistar-se ao longe.

Uma vila de sonho

Como não há trânsito no interior de Óbidos há que estacionar no exterior. Para quem goste de uma boa caminhada aqui fica uma sugestão. Rodear as muralhas, sair da estrada para as Caldas junto ao santuário do Senhor Jesus da Pedra e virar para oeste até à passagem de nível, estacionando aí. A estação ferroviária tem decoração a azulejo, evocando, quer as paisagens locais, quer a conquista deste castelo por D. Afonso Henriques. Do cais pode atalhar a pé por trilho pedestre devidamente assinalado que conduz às muralhas (Porta do Cerco), bem visíveis lá no alto.

O lago e o carro a leste do Bom Sucesso

O lago e o carro a leste do Bom Sucesso

Vale a pena percorrer a pé esta vila medieval fortificada, apreciando portais góticos, recantos das muralhas ou a igreja matriz, sem esquecer, no Museu Municipal, o acervo de pintura de Josefa de Óbidos (1634-1684), uma mulher à frente do seu tempo que rompeu com as convenções da época e foi das primeiras a viver do seu trabalho, livre da tutela de qualquer homem. E claro, há a famosa ginjinha mas não abuse porque vai ter que voltar a pegar no carro.

Por cima de (quase) toda a folha

De novo a bordo do Sorento, rodamos na direcção do mar, de forma a visitar a lagoa de Óbidos que, como atrás se escreveu, era um braço de mar até à Idade Média. É a maior de Portugal, com um comprimento máximo de 6 km e uma largura até 1,5 km. O perímetro de margens é de 22 km e a área de 600 ha. A profundidade é baixa, em geral inferior a 6 m. A ligação ao mar faz-se através de uma apertada garganta que muitas vezes fica assoreada. Na zona mais afastada da costa apresenta dois braços, o da Rosa e o do Bom Sucesso.

Poucos passeios serão tão bonitos como a volta à lagoa, tendo o antigo estradão do lado do Bom Sucesso passado a estar reservado aos peões, com alternativa por asfalto. Dadas as chuvadas recentes e a consistência barrenta dos terrenos convém ser realista e não tentar impossíveis, mesmo com 200 cavalos debaixo do capô.

Foi exactamente ao explorar um destes trilhos mesmo junto à margem que a aptidão TT do Sorento foi posta à prova, transpondo dois lamaçais de grau médio apenas com tracção à frente. E mais não fez porque as tragédias gregas nos ensinam que desafiar os deuses dá inevitavelmente maus resultados.

O Sorento existe em versão de caixa manual de seis velocidades (€ 45725) ou automática de oito (€ 50825), tendo em comum o motor CRDI de 2,2 litros e 200 cavalos. Espaço a bordo não lhe falta, quer em versão de cinco, quer de sete lugares (neste caso desdobrando a última fila de bancos). E esse espaço pode não ser demais se passar por um mercado livre de fruta ou for tentado pela divertida louça das Caldas da Rainha. Eu que o diga…