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Perdido no mar, não. Perdido para o mar

Na altura em que um movimento súbito da vela principal o terá atirado ao mar, o barco em que seguia o velejador britânico John Fisher, dado esta semana como “perdido no mar”, estava no meio de geladas e inóspitas águas, a mais de 2500 quilómetros de terra. A Volvo Ocean Race é a regata mais perigosa do mundo e Bernardo Freitas, português a participar na corrida, conta ao “Expresso” como é viver “outra vida”. “Podemos preparar-nos fisicamente num ginásio, que é o que fazemos, mas não é possível preparares-te para a privação do sono”

Ana França

John Fisher a bordo do Sun Hung Kai/Scallywag a caminho de Auckland, onde terá caído ao mar

JEREMIE LECAUDEY/epa

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Dois dias antes de John Fisher desaparecer, os iates da Volvo Ocean Race tinham passado o Ponto Nemo, o mais afastado de terra firme do mundo. Nemo, em latim, quer dizer “ninguém” ou “nenhum homem”. O ser humano mais próximo de quem atravessa este ponto está na Estação Espacial Internacional, a 400 quilómetros. Na vertical. A Volvo Ocean Race é uma das provas de vela mais difíceis do mundo, considerada por muitos a mais difícil e por isso também o maior desafio. É um teste à resistência humana como poucas outras, em qualquer desporto.

Era a primeira vez que John Fisher, velejador britânico de 47 anos, tentava completar esta extenuante corrida e, na segunda-feira, caiu no meio de um mar tempestuoso, onde naquele dia as ondas que envolviam os barcos ultrapassavam os seis metros de altura. As águas do Oceano Antártico não ultrapassavam os nove graus. O vento soprava a mais de 65 km/h. É quase impossível encontrar Fisher vivo mas, oficialmente, ele está “perdido no mar”.

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