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Guarda-redes surpreende toda a gente e mexe no telemóvel antes do jogo. Mas foi por um bom motivo

O que parecia caso para indignação tornou-se momento para aplauso

Hugo Tavares da Silva

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O Atlético Paranaense e o Atlético Mineiro já estavam no relvado para mais uma jornada do campeonato brasileiro. Depois dos ossos abanados, dos músculos aquecidos, dos pitões a salivarem para morderem a relva, aconteceu algo nunca visto…

Santos, guarda-redes da casa, foi ao poste direito e sacou da relva um telemóvel. Com as luvas, desafiando umas quantas leis da física, começou a mexer no seu celular. Lá atrás havia gente a filmar, incrédula. A poucos segundos de arrancar mais uma rodada do Brasileirão, o guarda-redes de 28 anos decidiu durante um minuto de silêncio saber o que se estava a passar no WhatsApp.

Certo? Errado. O atleta, assim como clube e treinador, alinharam na “maio amarelo”, uma campanha de sensibilização para o uso do telemóvel no trânsito, conta o Globo Esporte. Para quem ficou indignado no estádio, ou depois nos vídeos que se tornaram virais, Santos tem uma palavrinha: “Eu também ficaria indignado por ter levado o celular para o campo, assim como quero que fiquem indignados com quem usa no carro. Mais do que sofrer um golo, você pode sofrer um acidente por causa de uma distração com o celular. Esse foi o motivo de o celular estar ali antes de começar o jogo”.

O vice-presidente do clube, Marcio Lara, fala em coragem: “Agradeço ao Santos e ao Fernando Diniz [treinador] por se terem engajado nessa campanha. O Atlético é conhecido como o clube que quebra paradigmas. Foi escolhido para se engajar nesta campanha, demonstrando toda a coragem. Logicamente, foi tudo planeado”.

O que não estava nos planos foi o que aconteceu no gramado. O Atlético Mineiro, com o velhinho Ricardo Oliveira no ataque, venceu por 2-1.