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Duas amputações e mais de 40 anos depois, Xia Boyu chegou finalmente ao ponto mais alto do Evereste

Em 1975, a 8000 metros de altitude, Boya emprestou o seu saco-cama a um companheiro que estava doente. A generosidade teve um preço: congelou e perdeu os pés. Depois veio um linfoma e a amputação das pernas. Aos 69 anos, Xia Boya sentiu a brisa do céu

Hugo Tavares da Silva

PRAKASH MATHEMA

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Há um mês, Xia Boyu disse que o sonho era escalar o Monte Evereste, aquele colosso rochoso, normalmente vestido de branco, o mesmo colosso que lhe mudou a vida em 1975.

Há cerca de 43 anos, durante uma senhora tempestade, a 8000 metros de altitude, Boya emprestou o seu saco-cama a um companheiro de jornada que estava doente, conta a BBC. Este ato de generosidade valeu-lhe um congelamento e, por isso, perdeu os pés.

Mais tarde, quase 20 anos depois, sofreu um linfoma e teve de amputar as duas pernas. A vida continuou.

Aos 69 anos, e depois de outras três tentativas falhadas (2014, 2015, 2016), enfiou na cabeça de vez que seria o segundo duplo amputado, depois do australiano Steve Plain, a escalar aquela montanha com quase 9000 metros. E assim foi. Afinal, “era um desafio do destino”, dizia há um mês - “tenho de o fazer”. É como alguém que tem de olhar nos olhos o monstro que em tempos idos lhe levou algo muito precioso. E ganhar-lhe. Engolir o medo.

Monte Evereste: check, senhor Boyu.