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Bruno de Carvalho resiste e não cai: “Não nos vamos demitir a bem do Sporting”

Contra todos os vaticínios, prognósticos, ataques e pedidos de demissão de notáveis , amigos, ex-apoiantes e acionistas, o presidente do Sporting mantém-se na liderança do clube. Colegas do Conselho Diretivo seguram BdC ao não se demitirem dos seus cargos. É provável que Jaime Marta Soares convoque uma Assembleia Geral extraordinária para revogação do mandato, pelo que o futuro do Sporting está nas mãos dos sócios

Pedro Candeias

tiago miranda

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Às 23h01, Bruno de Carvalho sentou-se na sala de conferências do Estádio e Alvalde e leu um extenso comunicado: "Queria pedir desculpas a todos pelo atraso. O Sporting está a ser alvo de um ataque externo sem precedentes. Com ameaças várias. Olhamos para o lado e o que vemos? Pedidos e ameaças de demissões, pressões tremendas para mais demissões, inclusivamente dizendo às pessoas que nunca mais terão trabalho na sua vida — o que acho lamentável. Aquilo que nós não vemos são os superiores interesse do Sporting a ser protegidos Não nos vamos demitir. No domingo jogamos a Taça de Portugal e pedimos, por isso, uma Assembleia Geral extraordinária e não consegumos. Queremos perceber o que move o presidente da mesa da Assembleia Geral nos ataques que tem feito. Não deixaremos de averiguar a fundo os interesses cruzados. São os de dentro a ajudar os de fora".

Depois de passar a palavra aos seus colegas de direção, Bruno de Carvalho retomou: "Não nos demitimos a bem do Sporting. Pelo trabalho que temos de fazer e não por estarmos agarrados ao poder. Estamos disponíveis para prestar quaisquer esclarecimentos, aliás, como fizemos antes ao pedir uma AG extraordinária. Quero apenas reforçar que temos temas, números, um empréstimo obrigacionista, uma época desportiva que se avizinha em 51 modalidades. Estes compromissos exigem sentido de responsabilidade e de união."

O contexto

Após as demissões do Conselho Fiscal e da Assembleia Geral, ficou tudo nas mãos dos membros do Conselho Diretivo, formado por 13 elementos: a manutenção ou a saída de Bruno de Carvalho dependia do quórum deste órgão.

Ora, desses 13, cinco já tinham apresentado a sua demissão (António Rebelo, Luís Loureiro, Jorge Sanches, Rita Matos e, há um ano, Vicente Moura), pelo que o futuro residia nas intenções de Bdc (claro), Carlos Vieira, Rui Caeiro, José Quintela, Bruno Mascarenhas, Alexandre Godinho, Luís Roque e Luís Gestas - estes dois últimos são os únicos não remunerados deste grupo de sete. ; os cinco primeiros fazem parte do núcleo duro de indefectíveis de BdC. Contas feitas, faltariam duas demissões (5+2=7) para chegar ao número necessário de renunciantes para provocar a queda da direção.

Durante a tarde, diversas fontes próximas de Alvalade e deste processo garantiram à Tribuna Expresso que Bruno Mascarenhas e Luís Gestas estariam a ser aconselhados pelos partidos a que pertencem - CDS e PS, respetivamente - para deixar cair Bruno de Carvalho.

E, apesar de tudo,nada disso aconteceu.

O presidente do Sporting foi atacado por Jaime Marta Soares (que se demitiu da presidêncida mesa da AG), Álvaro Sobrinho (dono da Holdimo, segundo maior accionista da Sporting SAD), José Maria Ricciardi (membro demissionário do Conselho Leonino e antigo apoiante), e ouviu os amigos Daniel Sampaio, José Eduardo e Eduardo Barroso pedirem a sua demissão - e resistiu.

E agora?

Ora, o que acontece a seguir? Nada e tudo se mantém, o que parece pouco provável; ou então Jaime Marta Soares irá propôr à Messa da Assembleia Geral uma Assembleia Geral extraordinária para revogação de mandato, que tem de ser marcada com oito dias de antecedência, alegando justa causa para a mesma. Aí se votará a destituição ou manutenção da direção.

Ou, então, uma convocatória de sócios que, juntos, contabilizem mil votos, algo que chegou a acontecer em 2013, mas que acabou por não se realizar porque Godinho Lopes se demitiu entretanto

Os jogadores e o treinador

Enquanto estes cenários se constroem, há duas questões práticas para resolver: a gestão do plantel e do treinador. Porque o plantel está definitivamente contra o presidente e a ideia de uma rescisão coletiva de trabalho com justa causa está em cima da mesa, com todas as eventuais consequência financeiras que estas poderão acarretar. E porque Jorge Jesus está informalmente despedido desde a reunião de segunda-feira, quando Bruno de Carvalho que lhe disse que aquele era o fim de linha.