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O comunicado da direção do Sporting na íntegra: ataques externos, ataques internos, jogadores manobrados, inocência e... Pedro Guerra

O discurso foi lido por quatro vozes: Bruno de Carvalho (presidente), Fernando de Carvalho (vogal do Conselho Fiscal), Carlos Vieira (vice-presidente) e Rui Caeiro (vogal do Conselho Directivo)

Pedro Candeias

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O comunicado do Conselho Diretivo foi lido a quatro vozes: Bruno de Carvalho, Fernando Carvalho, Carlos Vieira e Rui Caeiro. Cada um leu o que lhe competia e, logicamente, houve linhas comuns que nortearam o discurso de todos: o Sporting está a ser vítima de um ataque externo e interno, e os agentes disruptivos irão ser identificados; há traições internas, e dá-se o exemplo do Conselho Fiscal que suspendeu João Paiva dos Santos, sócio "apanhado a trocar e-mails com o cartilheiro Pedro Guerra", quando a direção tinha pedido a sua expulsão de associado; os jogadores estão a ser manobrados para agirem contra o Conselho Diretivo no âmbito de "uma eventual vontade de quererem rescindir contrato com o clube"; e a inocência total nos casos de alegada corrupção que estão a ser investigados pelo Ministério Público.

Em baixo, os discursos do Conselho Diretivo, na íntegra.

Bruno de Carvalho (Presidente)

"Boa noite a todos e em especial aos sportinguistas

Em primeiro lugar quero dizer-vos que estão aqui presentes na Mesa membros do Conselho Directivo, da Comissão Executiva da SAD e um membro do Conselho Fiscal e Disciplinar do Clube.

O Sporting Clube de Portugal está a ser, nestes últimos dias, alvo de um ataque interno e externo sem precedentes na sua história. O objectivo é claramente obrigar à nossa demissão. Para que fique claro, desde já, não nos vamos demitir! Sentimos que o novo dever é, a bem do Sporting CP, ficar.

Num momento em que se pede responsabilidade e racionalidade a todos os elementos dos órgãos sociais, olhamos para o lado e o que vemos? Pedidos e ameaças de demissões, pressões tremendas para mais demissões e… os superiores interesses do Sporting CP a serem colocados de lado, tudo para tentar dar corpo a um golpe manobrado desde fora, em conluio, como se tem visto publicamente, com alguns dirigentes dos actuais órgãos sociais.

O Sporting joga no domingo a final da Taça de Portugal e temos um empréstimo obrigacionista para lançar nos próximos dias. Depois estaremos à disposição dos sócios e por isso pedimos o agendamento da uma Assembleia Geral Extraordinária para os ouvir sobre tudo o que se tem passado. Tudo para ser tratado da forma mais tranquila possível, mas em vez disso, em vésperas de um jogo tão importante quanto o de domingo, são os de dentro a ajudar os de fora nestes ataques torpes. As manobras dos rivais já as percebemos, mas as manobras daqueles que deviam estar unidos em torno dos superiores interesses do clube também não são por nós desconhecidas. O que move estes sportinguistas com responsabilidades dentro do clube? Iremos percebê-lo em breve.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral tinha agendado para a próxima 2ª feira uma reunião com os órgãos sociais do clube. Ontem, toda a Mesa foi convidada a estar na reunião realizada pela Direcção do Clube e pela Comissão Executivaa da SAD, convite que foi recusado. Da nossa reunião saiu a vontade de dar a voz aos associados com umaa Assembleia Geral Extraordinária, a qual poderia ser marcada por Jaime Marta Soares no espaço de uma semana. Então, como argumentar que este Conselho Directivo quer é ganhar tempo? Como argumentar com a falta de comunicação entre órgãos quando se recusam a reunir? Como argumentar que seja melhor demissões do que ouvir os associados? Nos próximos tempos não deixaremos de averiguar a fundo os interesses cruzados que se têm manifestado neste momento da vida do Clube..

Fernando de Carvalho (Vogal do Conselho Fiscal)

No que respeita ao Conselho Fiscal e Disciplinar do clube foi visível uma clara falta de sintonia em relação ao Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal e seu Presidente. Tudo porque este órgão, a que pertenço, se constituiu como um factor de oposição, actuando com total falta de solidariedade e deslealdade para com o Conselho Directivo e o seu Presidente.

Dois pequenos exemplos: foi contratado um instrutor externo para levar a cabo o processo de expulsão de sócio de João Pedro Paiva dos Santos, que, como todos sabem, foi apanhado a passar documentos internos do Sporting ao senhor Pedro Guerra, conhecido cartilheiro do Benfica. O instrutor externo, face à gravidade do acto, propôs que João Pedro Paiva dos Santos fosse efectivamente expulso. O que decidiu, por maioria, o Conselho Fiscal e Disciplinar? Reduzir a penalização para 12 meses de suspensão da condição de associado.

Outro caso: Um membro do Conselho Fiscal e Disciplinar instruiu um processo contra o associado José Pedro Rodrigues, por calúnias e difamações contra membros do Conselho Directivo e seus familiares. O instrutor propôs que o associado fosse apenas objecto de uma repreensão registada. Depois de muita discussão lá se aprovou uma suspensão de 10 meses.

O Conselho Fiscal e Disciplinar reclama de forma recorrente por maior autonomia face ao Conselho Directivo. Essa maior autonomia até pode existir, mas o que não se pode tolerar é o trabalho mal feito e a falta de gratidão e lealdade.

Gostaria de acrescentar que o Conselho Fiscal e Disciplinar não tem até à data qualquer processo, indício ou razão para apresentar a sua renúncia ou até sugerir a renúncia do Conselho Directivo ou de qualquer dos seus membros.

Carlos Vieira (vice-presidente)

Os sócios do Sporting CP têm sido bombardeados nos últimos dias com inúmeras especulações sobre a eventual vontade dos jogadores da equipa de futebol profissional rescindirem os seus contratos. Iremos averiguar ao pormenor todas as manobras que estão a ser feitas por forma a noticiar tais ameaças, que interesses se movem por trás destes interesses.

Esperamos conhecer, muito brevemente, os responsáveis pelo acto hediondo de terrorismo que mais uma vez repudiamos e que manchou o nome do Sporting, da SAD e do seu Presidente, e que provocou a destruição de activos da SAD e de particulares. Se este horrível acontecimento for motivo para rescisão por justa causa, o paradigma do mercado futebolístico, tal qual o conhecemos hoje, ficaria posto em causa. Tememos que os jogadores, por choque com toda esta situação, possam estar a ser manobrados e enredados em algo que está a tentar desvirtuar o seu profissionalismo, numa pretensa rixa com o Presidente e Comissão Executiva da SAD. Tal nunca poderá ser verdade pois eu próprio assisti, na passada 2ª feira, com os meus colegas da Comissão Executiva, a uma reunião do Presidente com os jogadores onde existiu um claro apoio do Presidente a estes, um claro comprometimento de todos com o Clube, SAD e em vencer a final do Jamor.

Esta semana fomos igualmente atacados na nossa dignidade. Colocaram em causa vitórias da equipa de futebol, as quais foram conquistadas com todo o mérito nos relvados. Temos o treinador mais bem pago do país, o plantel considerado como o mais valioso e acusam-nos de comprar jogos? A justiça está a trabalhar, nós estamos a colaborar e aguardamos serenamente e de consciência absolutamente tranquila, pelo desfecho deste processo.

Rui Caeiro (vogal do Conselho Diretivo)

Uma semana depois de termos conquistado o título de campeões nacionais de Andebol, vimos ser colocada em causa a nossa seriedade e honestidade e com isso o título da época passada. Gostaria de recordar que em 2016/17 a equipa de andebol do Sporting Clube de Portugal conquistou um título europeu, a Taça Challenge. Essa mesma equipa foi campeã nacional. Este ano todos puderam assistir à inequívoca superioridade da nossa equipa jogo após jogo. Tanto assim, que o título foi conseguido com três jornadas por disputar.

Reiteramos a nossa total confiança nos nossos atletas e técnicos.

Também neste processo estamos de consciência absolutamente tranquila, a colaborar com a justiça e a aguardar serenamente pelo desfecho da investigação.

BRUNO DE CARVALHO

Em conclusão, caras e caros sportinguistas, não nos demitimos a bem do Sporting. Pelas responsabilidades que assumimos, por uma questão de trabalho que urge fazer e não por estarmos agarrados ao poder.

Estamos, como sempre, disponíveis para prestar todos os esclarecimentos que sejam necessários, como ontem, aliás, ficou claro no pedido que fizemos à Mesa da Assembleia Geral para que convoque com urgância uma Assembleia Geral Extraordinária para esclarecimento de toda e qualquer questão que os sócios entendam solicitar. Esse é o local próprio, de acordo com os estatutos, para esclarecer todas as questões.

Quero apenas reforçar que pela frente temos inúmeras responsabilidades e compromissos como sejam um empréstimo obrigacionista, uma nova reestruturação financeira que está em fase de conclusão jurídica, uma nova temporada desportiva de 55 modalidades, onde se inclui o futebol e onde temos ainda, esta época, tantos objectivos, nacionais e internacionais, a cumprir. Estes compromissos exigem sentido de responsabilidade, coesão e união.

As pessoas que sempre garantiram o normal funcionamento do clube e da SAD são as que estão aqui comigo e que sempre estiveram desde a primeira hora. E sei que comigo continuarão enquanto os sócios aqui nos quiserem.

Obrigado a todos

Viva o Sporting Clube de Portugal"