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Crise no Sporting. “Desde a instabilidade política só aconteceram coisas positivas”

Documento saído da reunião dos órgãos sociais do Sporting foi enviado aos sócios pela direção do clube. Bruno de Carvalho revela que a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa o iliba da invasão da Academia e até elogia Rui Patrício

Hugo Franco e Pedro Candeias

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"Desde que se iniciou esta instabilidade política só aconteceram coisas positivas." Esta é uma das frases, no mínimo polémicas, referidas num documento de onze páginas que relata a reunião dos órgãos sociais do Sporting da última quinta-feira à noite em Alvalade.

Trata-se de um documento que foi enviado aos sócios pela direção do clube e não da ata formal da polémica reunião (que veio a ditar a marcação da Assembleia Geral extraordinária para dia 23 de de junho). Isto porque o referido documento não foi subscrito por Jaime Marta Soares, presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG) do clube. Nem por outros dirigentes máximos leoninos.

Segundo o "Diário de Notícias", a MAG vai avançar com uma queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR) por considerar que a ata desta reunião excedeu um limite e atenta ao bom nome e à dignidade dos membros da MAG.

Voltando à frase da página três do documento, proferida pelo presidente do clube Bruno de Carvalho naquela reunião. As "coisas positivas" foram, para o dirigente máximo do clube, "os resultados positivos da SAD; o adiamento, por unanimidade, do empresto obrigacionista de 2015; subida da cotação das ações da SAD em cerca de 30%; o apoio demonstrado pelos principais patrocinadores; a continuação do processo de montagem do novo empréstimo obrigacionista, com apoio da CMVM e Banco; o comunicado da ASPP (Associação Socio-Profissional dos Profissionais de Policia) onde fica claro que não há responsabilidade da SAD no sucedido na Academia; e, que fora disto, só via ruído, calúnia e difamação contr o Clube e a SAD".

Sobre os ataques aos jogadores de futebol em Alcochete, realizados na tarde de 15 de maio, Bruno de Carvalho foi mais longe e garantiu que existe um relatório da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) que diz que o Sporting não teve responsabilidade no que aconteceu.

"Os advogados dos atacantes, quando questionados pelos jornalistas, sobre Bruno de Carvalho, disseram expressamente que não foi feita nenhuma menção ao mesmo. Isto foi confirmado pelos agredidos, pela polícia e pela PGDL", pode ler-se no documento.

Na reunião, Bruno de Carvalho referiu também que não existem rescisões por parte dos jogadores da equipa de futebol. "O que há é chantagem de empresários", frisou. E descreveu a existência de um bom ambiente entre o presidente e o plantel e equipa técnica. "Logo a seguir ao jogo do Paços de Ferreira, o Presidente da MAG pediu a demissão do Presidente. Houve reuniões com os jogadores. Os jogadores não tiveram ambientes adversos, tendo todos observado voltas olímpicas ao Estádio; há imagens de jogadores abraçados ao Presidente; No jogo contra o Benfica, só não perdemos pelas defesas do Rui Patrício; na Madeira não tivemos a capacidade e competência para ganhar. Sobre o jogo da Taça disse que o facto é que os jogadores foram jogar."

Apontou ainda o dedo à Mesa da Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal e Disciplinar que estariam a "manchar o nome" do presidente e a "prejudicar" o clube.