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Ex-treinador de futebol inglês condenado por abusos sexuais a rapazes que sonhavam ser estrelas

George Ormond, treinador de equipas juvenis de futebol e treinador assistente do Newscastle foi esta terça-feira considerado culpado de 36 crimes de abuso sexual que cometeu ao longo de 24 anos contra 18 rapazes. A sentença é conhecida no fim da semana

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MakiEni's photo/Getty

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Um júri de seis mulheres e cinco homens considerou esta terça-feira o ex-treinador de futebol George Ormond culpado dos crimes de abuso sexual a 18 rapazes, que cometeu ao longo dos 24 anos em que foi treinador de equipas de futebol juvenis na zona de Northumbria, em Inglaterra, e assistente do Newcastle. O tribunal deu como provados 36 casos de abuso sexual e mais de 50 testemunhas foram ouvidas pelo júri que demorou dois dias a apresentar o veredito.

A maioria das vítimas permanece no anonimato, mas Derek Bell abdicou dessa instância legal e, em novembro de 2016, decidiu contar a sua história. “George Ormond é um predador sexual, um pedófilo predador”, disse, citado agora de novo pelo diário britânico “The Guardian”. Um dos responsáveis pela investigação policial, Mick Paterson, da polícia de Northumbria, acrescentou mais: “Ele utilizava a sua posição de confidente junto dos rapazes que tinham aspirações profissionais e sonhos de se tornarem futebolistas profissionais para lhes ter acesso e abusar deles. É insidioso e a pior das quebras de confiança”. Agradecendo às vítimas que decidiram contactar a polícia, Paterson disse que os rapazes que sofreram estes abusos “são homens fortes, mesmo muito fortes” e “um exemplo para todas as outras vítimas que ainda estão a começar o complexo caminho em direção à denúncia”.

Algumas das testemunhas ouvidas em tribunal desfizeram-se em lágrimas enquanto contavam as suas histórias. Uma delas, conta também o diário “The Guardian”, tem agora 50 anos e disse que só mencionou os abusos sexuais que sofreu quase 30 anos depois de terem acontecido quando o seu médico de família o obrigou a consultar um psiquiatra dados os severos sintomas de depressão profunda e as suas tendências suicidas. “Chorei como um bebé e, quando me fui deitar naquela noite, não queria acordar nunca mais”, disse a testemunha que não pode ser identificada por razões legais de proteção de identidade.

A mesma testemunha disse à polícia que os abusos começaram em 1983, na sua própria escola, quando Ormond era ajudante de treinador e ia observar os rapazes a tomar banho no fim das aulas de educação física, tendo depois começado a tomar banho com eles e forçado os rapazes a atos sexuais.

Muitas das pessoas que falaram referiram o facto de confiarem em Ormond para progredir na carreira como principal razão para terem evitado denunciá-lo. Uma das testemunhas disse que Ormond o avisou para ficar calado. “Eu tenho os teus sonhos na palma da minha mão. Se dizes algumas coisa, eu esmago-os”, contou a testemunha em tribunal.

A sentença é esperada no final desta semana.