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Está na estrada (ou melhor, nos caminhos) mais um Baja Portalegre 500

Começa esta sexta-feira a Baja Portalegre 500, que este ano tem um figurino especial, comemorativo da 30ª edição desta prova de todo-o-terreno

Rui Cardoso

d.r.

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Com a corrida disputada a partir desta sexta-feira, completar-se-ão 30 edições da Baja Portalegre 500. Tudo aponta para uma edição de contornos históricos para esta prova onde nasceu em 1987 o TT competitivo nacional. Não se trata apenas da celebração da efeméride, como sobretudo do número e diversidade de participantes. Há jipes e motos (incluindo quads) como sempre houve, a que se juntam os cada vez mais populares buggies e UTV com motores de moto. Um total de mais de 400 pilotos, o que é obra nos tempos que correm.

O campeonato nacional de TT decidir-se-á nesta corrida, com a luta entre João Ramos (Toyota Hi-Lux) e Nuno Matos (Opel Mokka Proto). Há muitos outros pilotos portugueses dignos de nota. Hélder Oliveira, que vai ter Nuno Rodrigues da Silva ao lado, em Nissan Navara, Miguel Campos, vindo dos ralis, para além de Miguel Barbosa (Mitubishi), da dupla Rui Sousa/Carlos Silva em Isuzu ou do campeão em título Ricardo Porem (Mini All4 Racing). Ainda a reter um bom lote de concorrentes estrangeiros (Rússia, Hungria, Espanha, Qatar, etc).

No meio de tudo isto há um estrangeiro muito especial. Stephane Peterhansel que já ganhou tudo o que havia para ganhar, fosse em moto, fosse em carro, fosse em África, fosse na América do Sul, vem disputar este Portalegre. Em quê? Num UTV Yamaha YXZ 1000R. Ao lado de quem? Da sua nova mulher, a também piloto de TT Andrea Mayer. Raio de forma de celebrar a lua de mel.

HISTÓRICO. Meticulosamente restaurado, o UMM em que Pedro Villas-Boas foi ao Dakar 87 e que agora regressa às pistas de Portalegre

HISTÓRICO. Meticulosamente restaurado, o UMM em que Pedro Villas-Boas foi ao Dakar 87 e que agora regressa às pistas de Portalegre

Tal como na ópera, não há apenas divas e tenores mas também coros e todos são imprescindíveis ao espetáculo. Por exemplo, o antigo treinador do FCP e do Zenith André Villas-Boas vai em duas rodas, de KTM. O seu tio, Pedro Villas-Boas, cofundador do Clube Aventura com José Megre, regressa com o UMM com que foi ao Dakar em 1987. A modéstia impede-me de referir quem será o seu companheiro de equipa mas os leitores poderão contar com crónicas na Tribuna com a descrição da prova vista por dentro…

E não é o único UMM em prova. Há nada menos de 15, celebrando o papel que os jipes de fabrico nacional tiveram na história do TT e desta prova em particular. Tucha (Carlos Barbosa) e o seu filho Bruno Barbosa serão alguns dos outros gloriosos malucos destas (velhas) máquinas rolantes. Os UMM partirão no fim do pelotão e não farão a prova integral, disputando apenas um dos troços de sábado. Uma coisa é certa: esperam-nos, seguramente, algumas das maiores ovações da corrida à passagem pelas zonas espetáculo.

Esta quinta-feira realizaram-se as verificações técnicas e administrativas. À hora de jantar houve uma partida simbólica na baixa de Portalegre, equivalente ao pontapé de saída dos grandes jogos de futebol do passado.

Sexta-feira é disputado o prólogo (arredores de Portalegre) e um primeiro troço com cerca de 80 km, ligando Ponte de Sor à capital do distrito. Sábado será o dia forte da corrida, com os concorrentes a percorrerem dois troços de cerca de 200 km. É um figurino diferente do da prova tradicional (que tinha uma volta sul por Sousel e Cabeço de Vide, de manhã, e uma volta norte por Alpalhão, Gavião e Ponte de Sor, à tarde) mas já ensaiado com algum sucesso o ano passado. Garantida está a famosa passagem pela Ribeira da Seda, cenário de tantas peripécias em ano de chuva.

Apesar de não ser provável a existência de lamaçais ou ribeiras muito cheias, não faltarão os ingredientes habituais duma prova de TT com pisos de areia e de barro, estradões muito rápidos e passagens muito lentas com mau piso entre pedras e vedações. E sobretudo muito público ao longo do percurso.