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Fronteira recebe 24 Horas TT

Depois da 30ª edição da Baja de Portalegre, há um mês, o todo-o-terreno regressa ao Alentejo para nova e muito participada prova

Rui Cardoso

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Uma vez mais a vila alentejana de Fronteira vai transformar-se na capital do TT com a realização da 19º edição das 24 Horas. Trata-se de uma corrida organizada pelo ACP e disputada num “terródromo” com 15 km de extensão que decorrerá entre as 14 horas de sábado e as 14 horas de domingo.

Para a AFN 24 Horas TT de Fronteira 2016 estão inscritas 90 equipas, correspondentes a cerca de 380 pilotos, a bordo dos mais diversos veículos, desde jipes e pick-ups, a protótipos de duas e quatro rodas motrizes, automóveis convencionais, etc (à razão de três a cinco pilotos por viatura que se terão que revezar aos comandos, pelo menos de três em três horas). Em complemento e como tem sucedido nos últimos anos, há uma prova de três horas disputada antes da principal no mesmo circuito e reservada a buggies e UTV.

Desde 2013 que a vitória não sorri a nenhuma equipa portuguesa. Até hoje foi ganha oito vezes por equipas lusas, seis por estrangeiras e as restantes pela equipa luso-francesa de Mário Andrade. Candidatos à vitória o protótipo Sadev Oryx do francês Francis Lauilhe vencedor do ao passado ou o Mitsubishi Pajero da equipa letã capitaneada por Igors Skoks. Mas há igualmente equipas lusas com as quais há que contar, onde avultam nomes tais como o ex-campeão nacional de TT Ricardo Porém, Alexandre Franco, Paulo Marques, Carlos Rolla, Lino Carapeta e muitos outros. E, claro, o buggy do clã Andrade, sempre candidato a um dos lugares cimeiros.

Como curiosidade registe-se que há duas equipas femininas, ambas em Sukuki Jimny e alguns automóveis inesperados como uma pick up Peugeot 504 (de resto habitual participante), dois Datsun e um Fiat Panda. E claro, os inevitáveis e eternos UMM, um mais ou menos de série (Promoção A) e o outro consideravelmente reforçado (promoção C).

Uma vez mais o autor destas linhas por lá andará (não poderia ser doutra forma visto ser o único totalista da prova, presente nas suas 19 edições) e relatará On Line as emoções da corrida vistas pelo pára-brisas de um respeitável jipe da terceira idade, um Nissan Patrol GR, entre sexta-feira e domingo.

O traçado e onde ver a corrida

A recta da meta situa-se junto à zona industrial de Fronteira, num local com excelente visibilidade e muitas opções para o público se posicionar.

Descrita uma curva de 180º à esquerda, muito trilhada à medida que as voltas se sucedem, entra-se numa sucessão de curvas, subidas e descidas que levam a um pequeno troço de asfalto a descer. A primeira curva, uma direita redonda, costuma ser cenário de alguns despistes, pois a combinação asfalto velho e pneus sujos costuma ser ingrata e a sorte nem sempre protege os audazes…

A partir daqui e uma vez passada a primeira passagem de nível (sim, o comboio já passou por aqui mas foi infelizmente desactivado) entra-se numa parte sem grandes hipóteses para o público. O troço sobe durante 3 km, primeiro sinuoso e depois rápido entre árvores, seguindo-se uma descida longa com três lombas, onde até os mais lentos andam na ponta da unha.

Após uma passagem entre pedras junto à chamada Zona da Capela (na verdade, um silo) entra-se noutra zona rápida, finalizada por uma direita fechada e normalmente muito escavada, prenunciadora da descida para a primeira ribeira. A saída desta, a subir, torna-se num pesadelo a partir de meio da prova, com 300 m de chapa verdadeiramente ondulada.

Chega-se depois a uma curva muito larga para a esquerda, coincidente com uma zona onde o acampamento dos espectadores é autorizado. Após uma sucessão de lombas e curvas cegas para a esquerda desce-se para a segunda zona espectáculo, junto à primeira passagem a vau do Rio Grande. Os metros seguintes em ano de chuva são um lamaçal interminável, sendo o pior ponto uma passagem entre vedações a subir que há dois anos ficou quase intransponível.

Atravessada a segunda passagem de nível (com a saída para a esquerda sempre muito cavada) entra-se numa zona rápida de planalto que termina com a famosa “curva do chaparro” a descer para a esquerda, seguindo-se a segunda travessia a vau do Rio Grande (junto à estrada de Fronteira para Cabeço de Vide), local da terceira zona espectáculo, muito público e abundantes barracas de comes e bebes.

Daqui em diante a volta está praticamente feita, restando a travessia de uma vala com água, mais chapa ondulada e uma zona muito escorregadia se houver lama, posto o que se sobe para a recta da meta. Consoante o andamento e as condições do piso gastaram-se 12 a 15 minutos. Está na hora de respirar fundo e iniciar a volta seguinte…