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24 Horas TT: Os bastidores da prova

Os segredos da logística por detrás das AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira

Rui Cardoso

Fotogrfia tirada na sala de comando

Rui Cardoso

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Aquilo que as dezenas de milhares de espectadores que se deslocam à vila alentejana de Fronteira veem das 24 Horas são, basicamente, a pista e os carros a passar nesta. Mas por detrás deste acontecimento há uma vasta organização que movimenta cerca de 500 pessoas.

Só postos de controlo à volta dos 15 km do circuito há 48. Cada um destes tem duas pessoas que, através de semáforos ou bandeiras, dão informações aos concorrentes em prova, desde existência de perigos na pista, a aproximação de veículos mais rápidos, alterações de percurso, interrupção de corrida, etc.

Estão ainda mobilizados 50 elementos da GNR, 52 bombeiros e 40 viaturas 4x4 da organização ao longo do circuito. Sobretudo na zona da meta e das boxes há 30 seguranças privados.

Há um posto de comando antes da reta da meta com vista desafogada sobre esta e onde através de rádio, telefone e este ano também através de GPS se sabe tudo em tempo real sobre a situação de cada carro: se está a andar ou parado, se entrou para a box, a que velocidade vai, etc.

Numa breve visita a este local assisti ao seguinte diálogo entre Jaime Santos, diretor adjunto da prova, e uma das viaturas de socorro:

- Capotou um concorrente nesta curva. Já tirámos o carro da pista mas há um problema...

- Qual é?

- É que o concorrente quando virou o carro arrancou o transponder e ninguém o encontra (é o dispositivo que permite contar as voltas)...

Minutos mais tarde, uma alma caridosa encontrava a caixinha eletrónica e entregava-a a um elemento da organização.

Não menos trabalhosa é a gestão dos reboques (cinco camiões com guincho e plataforma e cinco tratores para os atascanços), pois pode acontecer que haja uma dezena de viaturas imobilizadas ao mesmo tempo e não se consegue acudir a todos ao mesmo tempo. Uns são puxados por 4x4 da organização até à box mas outros, dependendo da avaria ou do acidente, podem mesmo precisar de uma camioneta de reboque com plataforma e guincho. Só ontem, durante os treinos livres e cronometrados foi feita mais de meia centena de reboques. Imagine-se durante a corrida propriamente dita...

Ainda que a prova não tenha historial de acidentes graves há uma vasta equipa médica a postos no circuito. São duas fixas e duas rotativas, mais duas outras, uma no hospital de campanha e outra afecta ao helicóptero. Não acodem apenas aos concorrentes mas muitas vezes também aos espectadores. Pedro Barradas, médico-chefe da prova, recorda uma vez em que foram chamados de urgência a uma zona-espectáculo porque um elemento do público, ao tentar virar-se dentro do carro para tirar um objeto do banco de trás, fez uma luxação do ombro.

“Não se conseguia mexer e estava ali dentro do carro, de braço esticado e cheio de dores”, recorda Barradas. “Entrámos dentro do carro e antes que ele desse pelo que íamos fazer, puxámos-lhe o braço para o sítio e reduzimos-lhe a luxação”.

E há, ainda, os pequenos gestos de solidariedade: diversas equipas ostentam nas viaturas autocolantes referentes à luta que o pequeno Salvador, de cinco anos, trava contra uma doença oncológica gravíssima e que já obrigou a uma intervenção a semana passada no Hospital da Estefânia.