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Mundial de ralis: um ano cheio de novidades

Pedro Roriz

Sébastien Ogier trocou a VW pela Ford e será com estas cores que vai lutar pelo quinto título consecutivo

VALERY HACHE / AFP / Getty Imafes

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O Campeonato do Mundo de ralis (WRC na sigla inglesa) arranca esta quinta-feira, como sempre em Monte Carlo, e este ano com inúmeras novidades, quer do ponto de vista técnico quer no quer toca a marcas e pilotos.

Em termos técnicoa, os novos carros do WRC serão mais potentes (380 cavalos, mais 70 do que no ano anterior), terão pneus mais largos e uma aerodinâmica mais arrojada, não só para aumentar a transmissão da potência ao solo mas também com o fim de captar a atenção dos espectadores.

Resta saber se esta será a melhor opção, porque o Mundial de ralis pode cair numa situação semelhante à vivida pelos Grupo B, em meados da década de 80 do século passado. Esses carros foram concebidos como a solução para tornar os ralis mais emotivos e interessantes, mas acabaram por ser banidos, no final da 1986, em consequência do grave acidente de Joaquim Santos no Rali de Portugal, e das mortes de Henri Toivonen e Sérgio Cresto, na Volta à Córsega, com o projetado Grupo S a não sair do papel.

Convirá sublinhar que durante os testes efetuados no último defeso vários pilotos saíram de estrada e que este novos WRC estão reservados apenas aos pilotos das equipas oficiais; os elementos das formações privadas apenas terão autorização para guiar modelos idênticos aos de 2016.

No que respeita ao regulamento desportivo, cada equipa pode inscrever três viaturas mas apenas pontuarão as duas mais bem classificadas. A “power stage” passa a atribuir pontos aos cinco primeiros (5-4-3-2-1), em lugar de só o fazer aos três mais rápidos; e a ordem de partida só respeita a classificação do campeonato no primeiro dia de cada rali, com a ordem de saída para os dias seguintes a ser dada pela ordem inversa da classificação entre os WRC – o que vai ao encontro das reclamações do tetracampeão mundial Sébastien Ogier, ao longo de toda a época anterior.

Em termos de marcas, registe-se a saída de cena da equipa oficial VW, dominadora nos últimos quatro anos, e o regresso a tempo inteiro da Citroen, da Toyota (após uma ausência de vários anos) e da Fiat, que volta a meter na estrada os 124 Abarth, inscritos na categoria RGT. Esta terá o campeonato reduzido a cinco provas, todas em asfalto: além do Rali de Monte Carlo,as restantes são a Volta à Córsega (WRC), o Rali Barum (República Checa) e o Rali de Roma Capital (Itália), pontuáveis para o Europeu de ra,lis, e o Rali de Valais (Suíça).

Ford reforçada com campeão mundial

O abandono da Volkswagen deixou livres no mercado os ex.pilotos da marca e nenhum deles teve dificuldades em arranjar um volante para a temporada que arranca esta quinta-feira: o tetracampeão mundial francês Sébastien Ogier foi contratado pela Ford, o finlandês Jari-Matti Latvala mudou-se para a Toyota e o norueguês Andreas Mikkelsen reforça a Skoda.

O inglês Malcolm Wilson, que nunca escondeu a vontade de contar com o campeão do mundo na sua equipa M-Sport Worls Rally Team, conseguiu concretizar o seu desejo e, para isso, deverá ter contado com um maior apoio da Ford, que assim pode recuperar um título que lhe escapa desde 2007.

O estónio Ott Tanak e o inglês Elfyn Evans, respetivamente campeão britânico e 3.º classificado no Mundial do WRC2, serão os companheiros de equipa do francês. Já o seu compatriota Eric Camille foi “despromovido” da equipa oficial para o WRC2, onde terá como colega o finlandês Teemu Suninen, vice-campeão da categoria, estando ambos ao volante dos Ford Fiesta R5 Evo.

A Hyundai é a única equipa (Hyundia Motorsport) que mantém inalterável o seu lote de pilotos, com o neo-zelandês Hayden Paddon, o belga Thierry Neuville e o espanhol Dani Sordo a conduzirem os novos i20 Coupé WRC da marca sul-coreana, que aposta sobretudo na conquista do título de construtores.

Após três anos de domínio no WTCC (Campeonato do Mundo de Carros de Turismo, com três títulos conquistados pelo argentino Jose Maria Lopez, a Citroen (Citroen Total Abu Dhabi World Rally Team), que nunca esteve verdadeiramente afastada das provas de estrada, está de volta a tempo inteiro ao WRC.

O inglês Kris Meeke, que no ano passado venceu duas provas (Portugal e Finlândia), o francês Stéphane Lefebvre e o irlandês Craig Breen são os pilotos da marca francesa, desejosa de repetir os nove anos de domínio (2004 a 2012) exercido por Sébastien Loeb, mas agora com outros protagonistas.

Novidade é o regresso da Toyota (Toyota Gazoo Racing Wolrd Rally Team), com uma equipa chefiada por outro tetracampeão mundial, Tommi Makinen (1996 – 1999) e que vai utiizar os Yaris WRC.

Sem ter feito o que fez a VW no ano anterior à sua entrada no WRC, a equipa nipónica aposta na evolução do carro e na busca de algumas vitórias, para mais tarde poder pensar na conquista do título, que foi seu, pela última vez, em 1999. Os finlandeses Jari-Matti Latvala, vindo da VW, e Juho Hanninen são, para já, os pilotos da equipa, que só vai ter dois carros nas duas primeiras provas (Monte Carlo e Suécia), com outro finlandês, Esapekka Lappi, campeão do WRC2, à espera de oportunidade para entrar em ação esta temporada.

No que diz ao campeonato reservado aos RC2, a Skoda, que juntou Andreas Mikkelsen a Jan Kopecky, volta a partir como favorita, devendo a maior oposição vir de Eric Camilli (Ford Fiesta R5) e Kevin Abbring (Hyundai i20 R5).

Destaque ainda para o regresso da Fiat, com três 124 Abarth entregues ao francês François Delecour, um veterano da prova, e aos italianos Fábio Andolfi e Gabriele Noberasco, que terão noutro francês, Romain Dumas (Porsche), o opositor na classificação reservada aos RGT. Seja como for, a Fiat tem o mérito de fazer regressar à estrada um carro mítico da história dos ralis.

Quatro dias de rali

A 85.ª edição do Rali de Monte Carlo começa esrta quinta-feira em Monte Carlo, ao final da tarde, com a caravana a rumar a Gap para enfrentar as duas primeiras especiais: Entrevaux – Val de Chalvagne (21,25 km) e Bayons – Breziers (25,49 km), que têm a particularidade de ser percorridas de noite, o que vai aumentar a dificuldade para pilotos e navegadores, hoje em dia pouco habituados a competir em tais condições de visibilidade.

Na sexta-feira, a etapa tem partida e chegada a Gap e integra uma dupla passagem pelas classificativas de Agnières-en-Dévoluy – Le Motty (24,63 km), Aspres-lés-Corps – Challiol (38,94 km) e Saint-Léger-les-Mèlézes – Ancelle – La Bâtie-Neuve (16,83 km).

No sábado será o regresso a Monte Carlo, com duas passagens pelos troços cronometrados de Lardier-et-Valença – Oze (31,17 km) e La Bâtie-Monsaleon – Faye (16,78 km) e uma por Bayons-Breziers, numa repetição do que sucedera na quinta-feira.

Finalmente, no domingo, a mítica e histórica “noite do Turini” é transformada na “manhã do Turini”, com dupla passagem por Luceram – Col Saint Roch (5,5 km) e La Bollène – Vésubie – Peira Cava (21,36 km), a versão do Col de Turini introduzida no ano passado, com a segunda passagem a funcionar como “power stage”.

Como de costume, neve e gelo deverãqo marcar presença na jornada de abertura do WRC, num ano que promete muita animação.