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Dança da chuva em Fronteira

Concorrentes das AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira agradeceram ao São Pedro chuvada de fim da tarde de quinta-feira que amaciou a pista e fez assentar o pó

Rui Cardoso

DR

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É sempre extraordinário como em meia dúzia de minutos as coisas podem mudar. Por volta das quatro da tarde de quinta-feira a pista das AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira apresentava-se em muito bom estado mas bastava a passagem de uma viatura a baixa velocidade para levantar uma nuvem de pó. Meia hora depois, na altura em que boa parte dos concorrentes ainda estava a fazer as verificações técnicas e documentais, caiu um inesperado dilúvio que só acalmou por volta das sete e meia da tarde. Foi o suficiente para a pista ficar macia e livre de pó, E assim se deverá manter para os treinos de qualificação desta tarde.

Esta é a 20ª edição desta prova, idealizada por José Megre no já distante ano de 1998. Conheço-a bem porque participei em todas as edições. Ontem, com o circuito ainda aberto e ao volante de uma viatura normal, um Volvo XC-60 que estou a testar para a edição deste ano do Essilor Carro do Ano/Troféu Volante de Cristal senti-me como naquele álbum do Michel Vaillant em que ele venda os olhos e faz a pista das 24 Horas de Le Mans só por instinto.

Neste caso era eu que, tendo passado o volante à minha pendura lhe ia dando as notas. “Salto cego e logo a seguir roda à esquerda”, “sobe até à passagem de nível e roda à esquerda” e por último “desce à direita e cruza ribeira”.

- Qual ribeira?

- Não há mas era aqui. Só falta a água…

Água é coisa que não vai haver nas passagens a vau, a menos que as trovoadas anunciadas para sábado à tarde atinjam proporções bíblicas, o que não é muito natural. Mas pelo menos a sessão de treinos torna-se mais divertida e sobretudo bastante mais segura com visibilidade plena.

Sábado às 14 horas será a largada para a corrida propriamente dita, que só terminará domingo à mesma hora. Quinta-feira à noite, durante uma aberta sem chuva, fez-se uma largada simbólica em pleno centro da vila de Fronteira, junto ao Centro de Interpretação da Batalha de Atoleiros. Carros e equipas foram subindo ao pódio para serem aplaudidos pelo público,

enquanto o presidente da Câmara, Rogério Silva e o responsável do Automóvel Clube de Portugal João Jordão agitavam a bandeira nacional e a de xadrez.

Foi nessa altura que o responsável pela empresa de segurança que faz o enquadramento da prova me chamou à parte de pediu: “Quando fizer as suas crónicas, se puder, fale dos rapazes da Charon que estão aqui noite e dia, ao frio e à chuva, para garantir que tudo corre bem”. Pois aqui fica uma saudação para os heróis ignorados da prova que tal como os comissários, controladores, pessoal das GNR, médicos e enfermeiros, bombeiros, condutores dos reboques, elementos da Câmara Municipal, secretariado do ACP e todos os outros que dão o seu melhor para que este evento que traz a Fronteira alguns dos melhores pilotos nacionais e estrangeiros de TT e um público estimado em 50 mil espectadores, tudo fazem para que as coisas corram na perfeição.

E que já tendo 20 anos venha a ter muitos mais.