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A liga dos campeões vista da liga dos últimos

As últimas horas das AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira foram uma vez mais surpreendentes, com o primeiro e segundo classificados a perder os seus lugares a meia-hora do fim

Rui Cardoso

Atribulações de um jornalista no meio do pelotão

XTROD

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Ao longo das suas 20 edições as AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira sempre foram férteis em golpes de teatro a poucos minutos do fim. Desta vez isso voltou a acontecer com o AC Nissan Proto da equipa luso-francesa de Mário Andrade e o MMP Evo 3 do francês Thierry Charbonier (que faz equipa, entre outros com o português Paulo Marques, veterano do Dakar) que, sendo respetivamente primeiro e segundo desde a madrugada tiveram avarias graves a poucos minutos do fim. Foi o então terceiro classificado, o Mitsubishi Pajero de Igor Skoks a subir ao lugar cimeiro da classificação. A melhor equipa 100% portuguesa é a que utiliza uma Nissan Navara (Vitor Conceiçáo, Nuno Pires e Tiago Rodrigues) e terminou na 5ª posição. Se quiser veja aqui as classificações completas.

Vendo agora a corrida na perspetiva de quem só luta por chegar ao fim, a última hora é a mais dolorosa. Torturamos a vista, uns pendurados nas vedações da pista para ver se o nosso carro está a descer para a reta da meta, outros colados ao ecrã do computador e à corrida online vista no Google Earth com a posição de cada concorrente (quase) em tempo real.

O carro arranca da box depois de uma última revisão, pilotado pelo Armandinho, o piloto mais cheio de recursos num raio de 200 km, capaz de sangrar travões, cortar fios ou pendurar um elemento da suspensão com braçadeiras de plástico, tudo desde que o carro corte a linha de chegada nem que seja ao pé-coxinho.

O pára-brisas parece saído de um tiroteio em Kabul, o escape ficou pelo caminho, os travões só funcionam quando lhes apetece, os apoios da carroçaria batem tal como os nossos corações mas o velho Patrol GR prometeu que não nos deixava ficar pelo caminho, muito menos a mim que comemoro a 20º participação nesta prova. E foi com a alegria de um penalti defendido no último minuto que o vimos receber a merecida bandeira de xadrez. Para o ano há mais, esperamos nós.