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Kia Picanto ganha músculo para os circuitos (fomos testar uma pequena “bomba” ao Autódromo do Estoril)

O fabricante coreano promove um troféu monomarca baseado numa evolução do seu modelo citadino. Resulta uma pequena “bomba”, divertida de guiar e a preço acessível

Rui Cardoso

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Podemos fazer um troço de ralis com um carro do dia-a-dia? Poder, podemos, mas o risco de dar cabo do material é grande. A menos que se trate do Kia Picanto GT, versão vitaminada do citadino da marca coreana.

Foi este o desafio a que o importador português da marca procurou responder: transformar um carro feito para andar na cidade com motores a gasolina de 82 ou 100 cv num pequeno bólide capaz de descer o Marão, rodar nas serras de Fafe ou fazer as parabólicas do Autódromo do Estoril.

E tudo isto sem custos astronómicos nem grandes artifícios técnicos, tirando o arco de segurança, corte de corrente, fechos de capô e mala, bancos e cintos de competição e melhorias na suspensão, admissão e regulação do motor.

Foi para ver como as coisas funcionavam na prática que me desloquei na última semana de março ao Autódromo do Estoril onde decorreu uma apresentação aos media do Kia Picanto GT. É exactamente o carro que descrevi nas páginas do Expresso durante o Essilor Carro do Ano/Troféu Volante de Cristal ao qual concorreu na categoria de citadino. As alterações são cirúrgicas pois, por exemplo, volante, alavanca de mudanças, travão de mão e painel de instrumentos continuam a ser os mesmos.

140 cv e 960 kg garantem agilidade

140 cv e 960 kg garantem agilidade

Vasco Estrelado

As diferenças situam-se na suspensão (amortecedores, molas e respectiva afinação), pneus e, claro está, no motor. Este continua a ser a gasolina de três cilindros e mil centímetros cúbicos mas a potência é elevada de 100 para 140 cv, graças a alterações na admissão e no escape, bem como a outra regulação da gestão electrónica.

Como o carro pesa 960 kg a coisa prometia e foi justamente para o verificar que passei pelo ritual de pôr o capacete, esgueirar-me pelo meio dos tubos do “roll bar”, ajustar cintos, etc. Ligada a ignição na chave de série, o motorzinho começou a roncar de forma promissora.

Uma volta, um pião

Um “roll-bar” com homologação FIA

Um “roll-bar” com homologação FIA

Vasco Estrelado

Com o meu amigo Pedro Vilar da Kia Portugal ao lado lá fomos para a pista, não sem antes ele me explicar que convinha passar a caixa por volta das 5500 rotações para o motor ser espremido sem se engasgar.

E aí vamos nós, saindo da linha de boxes, entrando na curva ao fundo da recta da meta e começando a subir. Descrevemos o primeiro S a fundo em terceira e lá vai disto, um acrobático peão comentado pelo Pedro com fleuma britânica: “Esta convém ser feita em segunda…”

Uma vez mais se comprova uma lei básica do automobilismo: o carro e a pista têm limites, a aselhice do piloto é que não…

Três voltas e muita suadela depois o teste estava feito e o veredicto decidido: há mesmo carro. É divertido de guiar e tem aptidões para, consoante as afinações, disputar um troço de ralis, uma rampa ou um circuito de velocidade.

Dito doutra forma e nas palavras de João Seabra, director-geral da Kia Portugal, “é o melhor compromisso possível entre gozo, desempenho e custo”.

Um posto de condução onde nada falta

Um posto de condução onde nada falta

Vasco Estrelado

Custos controlados

Regressa desta forma com o apoio do importador e a colaboração da CRM Motorsport algo que tem faltado nos últimos anos: um troféu monomarca a custos controlados e que permita, quer a iniciação de jovens pilotos, quer a evolução doutros mais experientes, estando as inscrições limitadas a 30 participantes.

Este ano o troféu resume-se a seis provas, entre 11 de Maio e 18 de Novembro (duas rampas e quatro circuitos) mas futuramente nada impede que participe em ralis. Na linha do que se fez com o Kia Super Seven existirá também a 6 e 7 de Maio no Autódromo do Estoril uma Racing Opportunity, ou seja um esquema de captação de concorrentes seleccionados a partir do público em geral.

No que respeita a custos, o preço do carro antes da transformação é de € 11500, a que acrescem € 12750 mais IVA da transformação, passaporte técnico do carro, fatos de competição, material de promoção (que inclui numa câmara de bordo), etc.