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Para lá do Marão ganham os que lá estão

Penúltimo dia do Rali de Portugal muito animado mas marcado por mais acidentes com pilotos de topo

Rui Cardoso

Thierry Neuville no seu Hyundai

Octavio Passos

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Esteve a prometer o dia todo e pouco depois das cinco da tarde, à hora a que começava o último troço do dia (Amarante 2), a chuva lá apareceu. Dez minutos de gotas grossas e frias, o suficiente para arrefecer os espectadores mas muito aquém do que seria preciso para fazer assentar o pó.

O local em que vi este troço (com 30 km de extensão) fica a 7 km do final, numa encosta entre as serras do Marão e do Alvão, não muito distante da Pousada e da aldeia de Aboadela. Vêem-se os carros aparecer ao longe, vindos de uma curva à esquerda, descrever uma recta de 150 m e fazer um quase gancho para a direita seguido de uma esquerda a descer com piso bastante lavrado e escorregadio.

Era o mais perfeito dos locais não fosse o pó pois sucedem-se as atravessadelas e a passagem a toda a velocidade na descida, com o lado esquerdo dos carros por vezes a milímetros de um muro de granito paralelo à pista. De manhã fora o belga da Hyundai, Thierry Neville, a fazer o melhor tempo e a consolidar a liderança.

À tarde o troço foi ganho pelo francês Sebastien Ogier da Ford que, já não estando em prova a contar para o campeonato depois do acidente de ontem, não deixou os seus créditos por mãos alheias. Também espectaculares as passagens à tarde de Lappi (Toyota) e de Mikkelsen (Hyundai).

Luta renhida pelo terceiro lugar

Quem já não passou da parte da tarde foi o herói da véspera, o britânico Kris Meeke que conquistara os corações do público presente na Baixa do Porto, ao fazer uma dupla passagem pelo “Street Stage” com apenas três rodas e num andamento pouco inferior ao dos primeiros. A sorte que já lhe tinha sido madrasta na véspera com uma sucessão de furos (daí ter chegado aos Aliados só com três rodas) voltou a abandoná-lo quase no final da primeira passagem por Amarante, quando se despistou e caiu para uma encosta arborizada, sem consequências físicas de maior.

Com a ronda de Fafe a fechar domingo o Rali, a liderança parece entregue a Thierry Neville já que se pode dar o luxo de gerir uma vantagem de quase 40 segundos para Efyn Evans da Ford. Para o terceiro lugar tudo está em

aberto pois há apenas 16 segundos entre Dani Sordo (Hyundai), Teemu Suninen (Hyundai) e Esapekka Lapi (Toyota).

Em Fafe com as suas famosas descidas e saltos bordejados por infindável público tudo pode acontecer mas a tradição joga a favor de Neville