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A ver o Rali de Portugal de Honda Civic

O Honda Civic voltou a ter motor a gasóleo e foi boa companhia durante o Rali de Portugal

Rui Cardoso

O Honda Civic 1.6 i-DTEC em pleno Marão, perto do troço de Amarante do Rali de Portugal

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Uma das zonas mais bonitas para ver o Rali de Portugal é ao km 14 do troço de Caminha, a cerca de 6 km da tomada de tempo. Vêem-se os carros a dar a volta à serra lá longe, vindos de noroeste. Ouve-se o roncar dos motores quando os concorrentes se aproximam a uma cota inferior e começam a subir ao nosso encontro. Logo depois aparecem junto à capela, vindos de norte, iniciando uma descida sinuosa com uma primeira curva apertada à esquerda, uma direita longa a descer e, por fim, um tremendo gancho à esquerda. Depois de levantarem uma poeirada digna do deserto do Sara, ainda os vemos a descer a serra, passando num viaduto sobre a A28 e desaparecendo na direcção de Gondar onde termina o troço.

Para o espectador, profissional ou não, o problema é chegar lá, mesmo com todas os autocolantes bem visíveis no pára-brisas da viatura. É que o acesso autorizado faz-se a partir das aldeias de Azevedo e Riba d’Âncora e implica subir uma rampa monumental em terra solta, antecedida de um gancho à esquerda que dificulta tomar muito balanço.

Já conhecia aquela espécie de troço de ralis para espectadores de anos anteriores mas foi só quando olhei bem para o dito que pensei: “devia ter trazido o Honda CR-V ou o HR-V em vez do Civic”. Afinal estava enganado. Os 120 cavalos do Honda Civic 1.6 i-DTEC firmaram bem os cascos no chão e, com uma ou outra escorregadela das rodas dianteiras, amarinharam por ali acima, ou não houvesse 300 Nm de binário. A minha única preocupação era a altura ao solo, não fosse haver por ali alguma pedra saliente, mas era tudo areia e pó.

No dia seguinte, novo teste à versão diesel do Honda Civic (com 1600 cm3de cilindrada). Tratava-se de ir da Quinta da Picaria, o simpático Turismo Rural onde estava alojado nos arredores de Santo Tirso, até ao alto do Marão para ver o troço de Amarante. É à volta de uma hora de caminho, primeiro por auto-estrada, depois pelo antigo IP4 e por fim através de uma estrada florestal não asfaltada.

Consumo interessante

Confirmaram-se as impressões deixadas na apresentação do carro: uma estrutura muito equilibrada num carro que não é tão pequeno como isso (4,5 m), o que significa bom comportamento em curva e nas travagens, uma pronta resposta do motor, ajudada pela caixa manual de seis velocidades e pouquíssimo barulho a bordo.

Só numa coisa as minhas primeiras impressões, partilhadas durante a apresentação deste modelo com o meu camarada de trabalho António Xavier do ACP, não bateram certo. Na altura voltámos de Óbidos convencidos de que o consumo não era o forte deste modelo, já que dificilmente andámos abaixo dos sete litros aos cem.

Agora, com uma viatura mais rodada, fosse nas ligações aos troços do rali, fosse nas longas viagens por auto-estrada entre Lisboa e Porto, o consumo observado foi bastante mais simpático: nunca mais de 5,9 l/100 km e por vezes meio litro abaixo, o que já está na linha do que se espera dos carros modernos. A divergência entre os valores reais observados e os da homologação é, como sempre acontece, significativa (pouco menos que o dobro).

Depois de Caminha, nova incursão por pisos de terra no Marão no dia seguinte. Onde um ano antes andara de Audi Q2 também passei de Honda Civic tendo, naturalmente, ainda mais cuidado com os desníveis do piso e com alguma pedra traiçoeira, sempre pronta a fazer maldades aos pneus ou à zona inferior do carro.

Ainda que o Honda Civic seja relativamente baixo, é fácil conseguir uma posição de condução confortável e com razoável visibilidade. A bagageira (capacidade 420 l) deixou saudades pois, como se imagina, quando se vai quatro dias fazer a cobertura de um rali não nos governamos só com uma mochila daquelas de passear na cidade.

Quanto a preço, este varia, consoante o nível de equipamento, entre os 27 e os 33 mil euros. A versão a gasolina começa nos 23 mil euros.