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Benfica: É como andar num Carrillo de choques

O Benfica ganhou 3-1 na Madeira com golos de Carrillo, Jiménez e um autogolo de Ali Ghazal. Tobias Figueiredo fez o golo do Nacional

Pedro Candeias

RUI SILVA

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Agora que Soares Dias deu isto por terminado e se começam a contar histórias sobre o azar de Ali Ghazal, que fez um autogolo e ainda escorregou e bateu com a cabeça no chão, sobre o golo de Tobias Figueiredo, que é do Sporting e esteve nos Olímpicos e é bom pelos ares, sobre o cameo de Carrillo, que era do Sporting e fez o 2-1 e não marcava vai para um ano, e sobre as correrias de Jiménez, que marcou pela segunda semana consecutiva e deu tudo o que tinha para que Jonas desse o que podia; agora, repito, agora que tudo isto aconteceu é bom parar para pensar que há mais além do resultado num jogo de bola.

O 3-1 é bom para o Benfica, porque empatou na jornada anterior e tinha de ganhar nesta para tentar recuperar pontos a um ou aos dois rivais no clássico de amanhã. Mas o 3-1 esconde um jogo em que o Benfica parece ter voltado atrás, a agosto, setembro ou a outubro de 2015, naquela fase em que o seu futebol era tão previsível como o discurso do seu treinador: correr, cruzar e rematar - o jogo interior e tabelinhas apareceriam mais tarde, quando o Renato deu gás ao talento do Gaitán e do Jonas.

Pode parecer injusto estar aqui a criticar um clube que fez três golos fora num campo muitas vezes complicado e difícil, porque lá se vive num microclima difícil de explicar, mas a verdade é que o Benfica ainda não é capaz de controlar o que quer e pode e deve fazer quando não tem a bola - objetivamente, defender melhor, não deixar que o adversário contra-ataque com tanta facilidade pelos corredores, não cair na tentação do bola-cá-bola-lá e do tu-cá-tu-lá, porque os campeonatos não se ganham a dialogar com os adversários, mas com monólogos. Andar num carrinho de choques, num um contra um, pode trazer problemas lá mais para a frente, contra equipas maiores.

E isto pode explicar-se pela ausência do Renato (no Bayern) e do Jardel (lesionado) e a presença do Semedo e do Grimaldo e do Horta, miúdos com pinta de jogador da bola quando a levam no pé, mas pouco assertivos se a perdem.

Isto quer dizer que o Benfica ganhou mal? Não.

Ganhou bem, porque criou mais ocasiões do que o Nacional (o chuto do Salvio à barra e os remates do Jonas ao corpo do Rui Silva, por exemplo), porque tem mais e melhores jogadores, e porque aproveitou os erros dos rapazes de Manuel Machado.