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Se Jonas não joga, joga o Manel. Qual Manel?

Primeiro foi uma fratura no osteófito do astrágalo (leia-se, no tornozelo direito) a tirar Jonas das duas primeiras jornadas do campeonato. Agora é um traumatismo e um hematoma no pé direito a voltarem a lesionar o brasileiro. Rui Vitória disse que "não há dramas", mas, para lá dos números, há um Benfica com Jonas e outro sem ele

Diogo Pombo

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Os treinadores gostam muito de dizer que numa equipa há 20 e tal jogadores e não apenas os 11 que vão lá para dentro de início. Que ninguém é insubstituível, há muitos com valor nos pés e que se um não pode calçar as chuteiras, há outro que poderá sempre. Rui Vitória é um deles. Para ele, nenhuma ausência lhe causará transtorno. Só pode, porque há semanas disse que “não há dramas” quando muita gente dramatizou por ver duas palavras associados ao maior abono da equipa: “osteófito” e “astrágalo”.

São nomes de ossos do tornozelo, neste caso do direito de Jonas, o avançado que sofreu uma fratura num treino após a Super Taça e teve que parar quieto durante uns tempos. Não tanto quanto se esperava, já que o brasileiro apareceu na Madeira a jogar durante 89 minutos da vitória (3-1) que os encarnados impuseram ao Nacional. Mesmo sem dramatizar, Rui Vitória podia voltar a suspirar de alívio. Até aparecer outro problema.

Jonas voltou a magoar-se: agora sofreu um traumatismo e um hematoma no pé direito. A lesão foi confirmado ao Expresso pela assessoria do Benfica que, porém, nada disse em relação à informação, avançada tanto pelo “Record” como pela “A Bola”, de que o avançado não deverá jogar contra o Arouca, na sexta-feira, e dificilmente recuperará a tempo de defrontar o Besiktas, na terça-feira, para a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. E vamos ver se fica por aí ou se, realmente, há razões para um drama.

Porque há um Benfica com Jonas e outro Benfica, bem diferente, sem ele. Desde 5 de outubro de 2014, quando o brasileiro se estreou pelo clube da Luz, à sétima jornada do último campeonato ganho por Jorge Jesus nos encarnados, Jonas apenas falhou 11 jogos -- cinco nessa época, quatro na seguinte e dois na atual temporada. O Benfica venceu cinco, empatou quatro e perdeu dois, o que nem é assim tão mau, tendo em conta que três dos empates e uma das derrotas aconteceram na Liga dos Campeões, competição que a teoria diz ser a mais complicada.

Quando Jonas não jogou

2014/15: 5 jogos: 1 vitória, 2 empates e 2 derrotas.
2015/16: 4 jogos, 3 vitórias, 1 empate
2016/17: 2 jogos, 1 vitória, 1 empate
Total: 11 jogos, 5 vitórias, 4 empates e 2 derrotas.

Só que isto é daquelas coisas que se veem muito melhor no campo do que nos números. E aí, não ter Jonas faz muita diferença. Sobretudo porque hoje o Benfica também já não tem Nico Gaitán, o argentino que estava par a par com o brasileiro nas invenções que causava e criava com a bola nos pés. E na influência que tinha na equipa, que, no caso de Jonas, passou a ser maior desde que Gaitán saiu para o Atlético de Madrid. Porque ele é o avançado que foge da área, pede a bola, toca-a quase sempre bem e se associa aos médios, puxando a equipa para a frente. Não é como uma cola que une tudo, é mais um afrodisíaco que dá ideias das boas à equipa.

Se ele não está, terá de aparecer alguém. Rui Vitória já experimentou Gonçalo Guedes e Pizzi na posição do avançado que é uma mistura entre habitante de área e amigo dos médios, só que nenhum fez metade do que Jonas costuma fazer -- marcar golos. Fora o que joga e faz jogar, o brasileiro leva 68 golos marcados em 85 partidas pelo Benfica e foi o melhor marcador da equipa nas duas últimas temporadas.

Rui Vitória não quis dramas, mas a coisa, agora, fica mais complicada. Kostas Mitroglou está bom para jogar, mas Raúl Jiménez e Luka Jovic, os outros avançados do Benfica, também estão lesionados. Sobram José Gomes, o puto maravilha que, em maio, foi campeão europeu de sub-17 com Portugal e que tem treinado com a equipa, e Rafa, o senhor 16 milhões de euros que apenas esta quarta-feira vai fazer o primeiro treino no Benfica. E agora, já será altura para dramatizar?

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