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O Benfica ganhou e Um Azar do Kralj viu Rafa ainda pouco interessado em assinar pelo Sporting

A vitória do Benfica em Arouca foi importante, mas mais importante foi a exibição do novo reforço Rafa: "Entrou em jogo denotando muito pouco interesse em assinar pelo Sporting e assim se manteve ao longo da sua presença em campo"

VASCO MENDONÇA E NUNO DIAS, UM AZAR DO KRALJ

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Rafa estreou-se pelo Benfica em Arouca

Octávio Passos/Lusa

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Júlio César

Sabem quando os desportivos incluem na sua análise individual alguém que entrou aos 93 minutos num jogo que terminou aos 95? E, 99 em cada 98 vezes, o jornalista coloca apenas um hífen como quem diz “eu bem queria, amigos, mas não tenho nada para dizer”? Pois bem, aqui não nos deixam fazer isso. Assim sendo, o melhor que se pode dizer de Júlio César é que à 4ª jornada ainda não teve culpa em nenhum dos golos sofridos.

Semedo

Muito ativo à frente, mas também atrás, designadamente com um golo na baliza adversária e uma assistência para golo na sua baliza, quando deixa Walter voar por cima de si aos 56 minutos. Pareceu mais convicto no golo sofrido. Não querendo ser repetitivo, acho que já sei quem é que ele me faz lembrar com aquele penteado. Experimentem lá googlar "Grace Jones”. Já agora, se algum amigo do André Almeida nos estiver a ler, digam-lhe que temos saudades.

Jardel

Há um anúncio muito bom de uma marca de relógios suíços que diz “ninguém é realmente dono de um Patek Philippe, apenas cuida dele para a geração seguinte”. Jardel soube cuidar da posição de defesa central até ao regresso de Lindelöf. É um jogador de quem raramente se pode pedir mais. Parece ser alguém que comeu literalmente relva da primeira vez que lhe disseram para comer a relva. Apresentou um novo penteado, numa provocação clara a este cronista que tanto tem pensado a estrutura capilar do clube. Se é para isto, mais vale começar os jogos já com a cabeça ligada.

Lisandro

Espantoso. Voltou a faturar e continua a impor-se no onze. Os 2 golos em 4 jogos já fazem dele um dos melhores marcadores da Liga. Pode parecer prematuro, mas o argentino já tem mais um golo marcado no campeonato do que Bryan Ruiz, Bas Dost, André e Spalvis juntos. Aos 65 minutos realizou o melhor corte do presente campeonato quando, virado de costas para o lance, sem a mais pequena noção de onde a bola se encontrava, conseguiu ainda assim colocar o seu crânio entre a bola e a baliza e evitar o golo. É sorte o kraljinho.

Grimaldo

Excelente a marcar o canto que resultou no segundo golo do Benfica, um lance que até os jogadores do Arouca pareceram apreciar, tal a lentidão com que reagiram. Joga com a alegria de quem já não está no Barcelona e por isso não tem que passar a bola 354 vezes para o lado até chegar à baliza adversária. Tem alguns gestos técnicos em que parece jogador a mais para a Liga portuguesa, mas não para o Benfica.

Fejsa

Continua a exibir uma impressionante tranquilidade no exercício das suas funções, isto quando faltam apenas quatro meses para receber a Bola de Ouro. É um jogador que envergonha todos aqueles homólogos no terreno de quem se diz “não se dá por ele, mas é muito importante!”. Esqueçam. Toda a gente dá por Fejsa. Incluindo, por este andar, alguns grandes clubes europeus.

André Horta

Notou-se nele algum entusiasmo por ter um novo colega capaz de tratar a bola com o mesmo carinho (Rafa), isso e mais alguma impetuosidade a defender. Continua a merecer a titularidade. Voltou a aproveitar a fase final do jogo para se tornar trending topic no Twitter, num lance junto à linha de cabeceira em que humilha três colegas de profissão e avança rumo à área para assistir José Gomes. #omiúdofazse

Pizzi

Participou muito ativamente no festival de passes e golos falhados da primeira parte. Começou a melhorar assim que percebeu que, afinal, podia colocar a bola onde quisesse no campo, desde que Rafa estivesse por perto. A partir daí tentou dedicar-se quase exclusivamente à importante tarefa de passar a bola ao Rafa, missão que seria interrompida para a entrada de Carrillo, com quem revelou o nível de cumplicidade de alguém que conhecemos num encontro de speed dating.

Octávio Passos/Lusa

Salvio

Fez uma assistência para o golo de Semedo e continua a demonstrar, aos poucos, que os rumores da sua morte futebolística foram manifestamente exagerados. Integrou competentemente uma geringonça ofensiva (Pizzi, Rafa, Guedes e Salvio) que se instalou no meio-campo do Arouca. Não resultou em nenhum golo do quarteto, mas tudo porreiro desde que não voltem a rever os escalões de IRS.

Rafa

Entrou em jogo denotando muito pouco interesse em assinar pelo Sporting e assim se manteve ao longo da sua presença em campo. Parecia que já conhecia aquela gente toda há anos. De facto, pareceram anos até que assinasse. Jogou apenas 60 minutos por culpa do bruxo de Fafe, que continua a mandar jogadores benquistas para o estaleiro. Ainda assim, fez o suficiente nessa hora de jogo para levar muitos adeptos a pensar “e agora, como é que vamos fazer sem o Rafa?” Aos 59 minutos sofre falta na área mas o árbitro decide não assinalar, como se Rafa ainda jogasse no Braga.

Guedes

Dele se esperava hoje que fosse uma espécie de 'Jonaglou' e assim fizesse esquecer Jonas e Mitroglou. Essa missão é impossível, mas o miúdo Guedes não parou quieto um segundo e foi um dos principais responsáveis por alguns minutos de saudoso "rolo compressor" na frente ofensiva do Benfica, em especial na primeira parte. Foi diversificando os seus movimentos ofensivos, algures entre um sprinter e um calceteiro. Correu que se fartou para desequilibrar e, no descanso disso, foi carregando consigo defesas que empedraram a avenida para a passagem de Salvio, Rafa e companhia.

Carrillo

Entrou para ocupar os mesmos espaços que Rafa e fazer coisas semelhantes, o que o vulgarizou ao primeiro toque da chuteira na bola. Verdade seja dita, não esteve muito inspirado. Carrillo é o chamado bom problema: se jogar bem, maravilha. Se jogar mal, maravilha. Vendemo-lo. Seja o que Deus quiser.

Samaris

A sua já longa estadia no banco de suplentes é uma pequena tragédia, ou não fosse ele grego. Samaris fez o que se esperava de uma pessoa originária dos pais da nossa civilização: entrou em campo, fez o que lhe competia - ajudar Fejsa a tapar o meio-campo - e saiu sem levantar ondas. Um funcionário descansado que, por esta altura, já estará confortavelmente instalado no autocarro a ler Herberto Helder.

Zé Gomes

Apenas dois minutos em campo e quase se estreava a marcar. O seu pé direito ficou a centímetros da bola, adiando pelo menos por mais uma semana o debate em torno da sua verdadeira idade.