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Justiça recebe sete denúncias iguais contra 
o Benfica

PJ fez buscas ao clube no caso dos vouchers, um ano depois de acusações feitas por Bruno de Carvalho na televisão

Hugo Franco

Ana Baião

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Nos últimos meses chegaram ao Ministério Público sete queixas anónimas sobre os vouchers oferecidos pelo Benfica aos árbitros. As denúncias têm, no entanto, uma particularidade: são iguais. Contactado pelo Expresso, o gabinete de comunicação da Procuradoria-Geral da República confirma que “além de uma participação da Federação Portuguesa de Futebol, o Ministério Público recebeu ainda, por correio eletrónico, sete participações, todas idênticas”.

A SAD do clube encarnado foi alvo de buscas policiais na manhã de 11 de outubro, por uma equipa da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, que procurava sobretudo “faturas das refeições oferecidas pelo Benfica”, bem como “o total das vendas do Kit Eusébio”, dois dos presentes que recebiam alguns árbitros que apitaram os jogos das equipas A e B — procedimento que o Benfica não nega mas garante estar dentro da lei.

De acordo com uma fonte da PJ, os inspetores contaram “com a colaboração da SAD do Benfica” e no final da “discreta operação” realizada no departamento financeiro, que teve o objetivo principal de “recolher provas”, não foram constituídos arguidos.

O Expresso apurou entretanto que a ação policial se realizou, em parte, por não terem ficado totalmente esclarecidas as dúvidas dos investigadores durante a troca de e-mails entre o clube e a PJ. Sem responder diretamente a esta questão, uma fonte próxima do processo lembra que “é normal” que se realizem buscas de modo a complementar os dados recebidos pelo correio eletrónico. “Os mandados judiciais servem também para formalizar toda a operação”, explica.

A investigação iniciou-se em outubro de 2015, depois de o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, no programa “Prolongamento”, ter acusado o Benfica de corrupção desportiva. O dirigente disse ter conhecimento de que os encarnados davam “prendas” aos quatro árbitros, aos dois delegados da Liga e ao observador dos árbitros em todos os jogos. O Benfica dava “28 jantares por jogo, na equipa A e na equipa B”. Só em jantares oferecidos num dos restaurantes do Estádio da Luz, por ano, o Benfica gastaria cerca de 140 mil euros, aos quais se somariam as prendas. “Tudo deve rondar os 250 mil euros”, acusou Bruno de Carvalho.

Esta terça-feira, depois da notícia avançada pelo “Correio da Manhã”, uma fonte oficial dos encarnados garantiu que a iniciativa das buscas partiu do próprio clube: “O Benfica, na sequência das declarações do presidente do Sporting no programa ‘Prolongamento’, pediu à Federação que entrasse em contacto com as autoridades competentes para esclarecer cabalmente este processo.”