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E já lá vão 80 dias sem Jonas

O brasileiro que se tornou o barbudo mais conhecido do nosso futebol não joga há quase três meses. A cirurgia à lesão de nome esquisito, uma drenagem a uma hematoma e uma infeção de uma bactéria, tudo no mesmo sítio, não têm deixado que Jonas toque na bola

Diogo Pombo

FRANCISCO LEONG

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A confusão era recente e Jonas, o abono goleador do Benfica, tinha acabado de se lesionar. Outra vez. A mazela tinha um nome esquisito, dos que só mesmo um médico consegue descomplicar. Henrique Jones estava de férias, talvez longe de Portugal, e as perguntas tiveram que seguir por e-mail. As respostas foram estas:

“O astragalo é um osso que faz parte da do tornozelo. No futebolista o ato de correr, saltar e , sobretudo chutar a bola, levam a calcificações (também designadas por osteofitos ou exostoses) na região anterior do tornozelo, por inúmeros pequenos impactos. Estas calcificações são normalmente bem tolerados pelos futebolistas. Um traumatismo mais violento pode levar a uma fratura desses osteofitos com dor e prejuízo funcional que pode levar a uma cirurgia para remover o fragmento fraturado.”

“Os osteofitos do tornozelo do futebolista (síndrome de conflito anterior) são muito frequentes e quase típicos desta modalidade. Normalmente não dão sintomas e permitem competir sem limitações.”

“No caso de resseção cirúrgica, em caso de osteofitos que incomodam ou que fraturam, a recuperação e relativamente rápida entre as 3-4 semanas para regresso à atividade desportiva.”

O moral das explicações do antigo médico da seleção nacional, em suma, era que acontecera com Jonas algo normal. Nada tinha a ver com a idade, mas sim com a forma como um jogador se mexe para correr, se contorce, dobra o corpo e chuta na bola. Mas as perguntas da Tribuna Expresso chegam-lhe depois de o brasileiro ser operado ao tal osteofito do astragalo (tornozelo) direito, a 11 de agosto, e de voltar a jogar a 27, do mesmo mês - 16 dias volvidos, menos do que as “3-4 semanas” que Henrique Jones disse ser o normal.

O osteofito tramou Jonas na Super Taça, colocou-o na mesa de operações, tirou-o de duas jornadas do campeonato, como efeito colateral, fê-lo parar de novo. E aqui vem a última parte do e-mail que o atual membro do Comité Médico da UEFA nos escreveu:

“As complicações da cirurgia podem ser precoces (infecção, hematoma ou abertura da sutura) ou tardias com inflamação, hematoma ou seroma persistentes. Um traumatismo numa zona recentemente intervencionada pode ser a causa destes sinais e de sintomas dolorosos e incapacitantes para a prática de uma modalidade em que a função do tornozelo é fundamental.”

Ou seja, o avançado, 16 dias após ser operado, jogou 89 minutos contra o Nacional da Madeira, e sofreu um traumatismo no tornozelo direito que lhe causou um dos hematomas que Henrique Jones falava. Esse hematoma precisou de ser drenado e, dessa intervenção, o brasileiro ficou com uma ferida, que precisava de ser cicatrizada - e que uma bactéria fez com que infetasse.

É essa infeção que tem tramado a vida a Jonas. Desde setembro que o avançado se tem limitado a coisas que não lhe causam dor, como pedalar numa bicicleta ou fazer exercícios dentro de uma piscina, como têm escrito os jornais desportivos. O tempo foi passando, o brasileiro foi deixando crescer a barba ao ponto de parecer um náufrago com uma ilha só para ele, até esta semana, pelos vistos, começar a tocar na bola.

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Contas feitas, são 80 dias entre a partida contra o Nacional da Madeira e esta terça-feira, 15 de novembro. Jonas não parece estar perto de regressar, a barba continua a crescer e até Salvio, que sabe o que é estar parado a mando do corpo, já brincou que contratou o brasileiro para ser Pai Natal.

Os jogadores do Benfica vão mostrando sinais públicos de apoio ao avançado, que já garantiu não estar deprimido. E que a barba não é promessa.