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Cervi(u) um golo para acabar com a trapalhada

O Benfica fecha 2016 com uma vitória, a 44.ª do ano, coisa que só o Barcelona se pode gabar. Frente ao Paços de Ferreira, na estreia das águias na Taça da Liga, bastou um golo do diabólico Franco Cervi a fechar a 1.ª parte, num jogo em que os encarnados sentiram (e bem) a falta de Pizzi: sem ele, tudo no futebol do Benfica sai mais atabalhoado

Lídia Paralta Gomes

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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Ele é argentino, pequenito, rápido, esquerdino, nascido ali para os lados de Rosário. Calma, calma, não estamos a falar de Lionel Messi, nem queremos fazer comparações. O Benfica não tem Messi, Messi pertence a outra história, a outra realidade, mas tem Cervi, também ele argentino, pequenito, rápido, esquerdino, nascido ali para os lados de Rosário e criado no Rosário Central, o clube rival do Newell’s Old Boys onde Messi deu os primeiros toques numa bola.

Messi resolve muitos jogos e Cervi resolveu este. O que já não é pouco. Porque a estreia do Benfica na Taça da Liga 2016/17, troféu que os encarnados ganharam sete vezes, em nove edições, foi feita em passo pouco acelerado, mesmo que Rui Vitória não tenha dado descanso a gente essencial como Fejsa, Nelson Semedo ou Luisão, que teve Jardel ao seu lado - Lindelof foi convocado mas nem sequer se sentou no banco de suplentes, para desespero do adepto que levou uma bandeira da Suécia para as bancadas.

Foi da insistência do diabólico argentino de 1,70 m (como Messi) que nasceu o único golo do jogo frente ao Paços de Ferreira, aos 40 minutos da 1.ª parte. Um golo que permitiu ao Benfica entrar a ganhar na Taça da Liga e fechar o ano civil de 2016 com 44 vitórias em 54 jogos, algo que só o Barcelona (de Messi) se pode gabar.

Antes do jogo, o técnico encarnado fez questão de sublinhar que, rabanadas e bolo-rei à parte, no Benfica quando é para trabalhar, é para trabalhar, quando é para descansar, é para descansar e quando é para brincar, é para brincar. E o Benfica até entrou bem, com duas oportunidades no primeiro quarto de hora. Primeiro por Celis, o rapaz colombiano que fez (mal) do castigado Pizzi, com um remate de longe defendido com as pontas dos dedos por Mário Felgueiras, e depois por Rafa, que falhou na cara do guarda-redes do Paços depois de um brilhante movimento de rutura e de receber um passe quase tão brilhante de Jimenez.

Jonas entrou na 2.ª parte

Jonas entrou na 2.ª parte

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Mas em boa parte do que restou dos primeiros 45 minutos, no Benfica quando foi para “trapalhar”, foi para “trapalhar”. Sentiu-se a falta de Pizzi na ligação entre as linhas - Celis, depois do remate perigoso, mal se viu. O Benfica tinha posse, mas era atabalhoado, perdia bolas com facilidade e por isso a jogada que dá origem ao golo de Cervi, aos 40 minutos, foi uma simpática surpresa no meio da trapalhice própria de um jogo colocado entre o Natal e o Ano Novo.

Começou na visão de Rafa, que viu bem André Almeida na ala e colocou no lateral. Este aproveitou a saída de Mário Felgueiras para colocar na área e aí apareceu Gonçalo Guedes, que viu o seu remate salvo na linha por um defesa pacense. A bola sobrou então para Franco Cervi, que levou o pé esquerdo bem lá atrás e marcou aquele que seria o único golo do jogo.

Para a segunda metade ambas as equipas reservaram algum futebol, culpa de Jimenez, que ia marcando um belo golo depois de dançar na cara de uns quantos defesas do Paços e rematar em jeito (saiu ligeiramente ao lado) e também de Jonas, que entrou aos 56 minutos para logo ensinar a miudagem como é que se trata uma bola.

Nos últimos 10 minutos, o Paços de Ferreira deu finalmente alguns sinais de vida, enchendo assim de razão Rui Vitória, que substituiu Celis em vez de Fejsa, porque já se sabe que com o sérvio em campo a probabilidade de haver surpresas desce para níveis mais ou menos residuais. E assim foi: a reação foi quase automaticamente estancada e o Benfica despede-se de 2016 a vencer. Quando é para trabalhar é para trabalhar, mesmo sem grande suor.

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