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Martim Silva

Martim Silva

Diretor-Executivo

Petardos para o Benfica? Poupem-me. E os outros que vão atrás?

Martim Silva, diretor-executivo do Expresso, escreve sobre o momento do Benfica

Martim Silva

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O futebol português continua de pernas para o ar. Coisa que não é de admirar se olharmos para um mundo em que os acontecimentos parecem todos eles virados de pernas para o ar. Mas, ainda assim, o futebol nacional é uma bolha dentro da bolha. Adoramos a euforia, mas não sabemos escapar à depressão.

Repare-se: o Benfica vai em primeiro lugar na liga de futebol. Perde um jogo e os seus jogadores são recebidos com petardos.

Quem está atrás tem, objectivamente, menos condições de poder vir a ser campeão nacional. Mas os que vão à frente é que são ameaçados e recebidos com petardos.

Estou a exagerar ou isto não faz mesmo sentido nenhum?

Olhemos com mais detalhe para o que se passa.

Porque é que digo que o Benfica é a equipa com melhores condições para ganhar o título?

Não é só por ir à frente. É pelo que tem apresentado ao longo do ano, aliando uma considerável solidez defensiva a uma velocidade no ataque capaz de minar as defesas mais sólidas. Tem Jonas, Mitroglou e Jimènez no centro do ataque. Tem Sálvio, Cervi, Zivkovic e Carrillo nas alas. Tem Pizzi e Fejsa no meio. Na defesa tem no banco Jardel e Lisandro como opções mais que válidas.

Percebo que o recente abaixamento de forma de alguns jogadores-chave assuste, mas as coisas devem ser vistas com um pouco de frieza.

O Porto está mais ameaçador, mas não resolveu ainda problemas básicos de concepção do seu jogo. Jota e André no centro do ataque? Ou Brahimi e Corona nas Alas? As mudanças, testes, ensaios e hesitações sucedem-se. E Oliver e Herrera no meio continuam sem convencer plenamente.

Já o Sporting está totalmente assente em Bas Dost no centro do ataque, em Gelson nas alas e na capacidade de Adrien e William se manterem em boa forma física e de correrem que nem uns galgos em todos os jogos. Alguém acredita que Jesus tenha uma alternativa de jeito? Não tem. E é preciso acreditar em milagres para pensar que Palhinha ou Geraldes já estão em condição de fazerem a diferença decisiva que decide campeonatos.

Por isso é que digo que é preciso um pouco de calma.

Basta vermos os títulos de jornais. Em duas semanas, Espírito Santo passa de ser uma besta da família dos espíritos santos que deram cabo de um banco a ser considerado como um dos vértices da santíssima trindade.

Jesus e Bruno de Carvalho num dia estão incompatibizados e já não se podem ver e o Sporting é um caso perdido. Mas, logo a seguirm já se acredita outra vez e a esperança volta a ser verde.

Os três resultados negativos das últimas semanas (empate com o Boavista, derrota com o Moreirense e derrota com o Setúbal) são seguramente um sinal de alerta para o Benfica e é óbvio que relançam a emoção para o campeonato. Mas é só isso mesmo que aconteceu: o campeonato foi relançado. Já o favorito continua a ser exactamente o mesmo.