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Como acalmar a ansiedade? Tome dois Jonas (e um Mitroglou no fim)

Dois golos do brasileiro na 1.ª parte deixaram o Benfica mais sossegado, depois da derrota de segunda-feira em Setúbal e de perder a liderança do campeonato para o FC Porto na véspera. Frente a um Nacional que pouca ou nenhuma réplica ofereceu, Mitroglou fechou a contagem em 3-0 já nos últimos minutos

Lídia Paralta Gomes

Jonas já vai em 10 golos em 8 jogos frente ao Nacional. E Mitroglou também marcou

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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De repente é fevereiro, vais dormir e já não és líder. É uma sensação que já não tens há uns quantos meses. Lembras-te que vendeste para França o teu jogador mais intenso e que na última segunda-feira perdeste com o V. Setúbal e ainda por cima a jogar mal. Depois ainda te recordas que o teu treinador está castigado e não vai estar no banco, que um dos teus melhores avançados está lesionado e que o teu número oito está, em bom português, todo rebentado.

E mesmo que o próximo adversário seja o penúltimo da tabela, tudo isto deixa qualquer um ansioso, não deixa?

Pois bem, para esses casos, nada como tomar dois Jonas (e um Mitroglou no fim).

Dois golos do brasileiro na 1.ª parte e um do grego já no final permitiram ao Benfica passar incólume na receção ao Nacional (3-0), uma vitória que deixa as águias de novo na liderança do campeonato, perdida na véspera para o FC Porto, e afasta por momentos todo o nervosismo que foi crescendo desde o afastamento da Taça da Liga com o Moreirense.

O Benfica voltou a não maravilhar ou a ser uma equipa intensa ou agressiva, mas a velocidade do recuperado Salvio - tinha ficado de fora na derrota com o V. Setúbal a contas com uma entorse -, a melhoria física de Pizzi e, essencialmente, a pontaria de Jonas chegaram e sobraram frente a um Nacional que entrou em campo com quatro reforços de inverno, ainda pouco habituados às dinâmicas da equipa.

Depois de um início em modo soporífero, o primeiro sinal do Benfica apareceu à passagem dos primeiros 15 minutos. Bastou Salvio colocar alguma velocidade para logo surgirem dois cruzamentos perigosos para a área de Adriano. Um perigo que se tornou efetivo aos 26’: depois de minutos antes ter tentado um passe de calcanhar que acabou numa oportunidade para o Nacional, Pizzi redimiu-se com uma recuperação de bola e um passe para Zivkovic, com o jovem sérvio a sacar um belo cruzamento com o pé esquerdo que Jonas aproveitou com um cabeceamento certeiro, depois de encontrar espaço entre os centrais.

Jonas não é um gigante, mas saltou mais do que os centrais adversários

Jonas não é um gigante, mas saltou mais do que os centrais adversários

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

E depois de tomar o primeiro Jonas, o Benfica sossegou e acordou ao mesmo tempo. Até porque menos de 10 minutos depois, o brasileiro voltou a marcar: uma das cavalgadas de Semedo até à área do Nacional acabou interceptada, mas a bola acabou nos pés de Jonas, que fletiu para o meio e na quina da área rematou de pé esquerdo, fora do alcance de Adriano. Um belo remate, uma segunda dose de Jonas e aos 36 minutos o jogo estava resolvido.

Também dá para Kostas

A seguir ao segundo golo de Jonas, o 10.º do brasileiro em oito jogos frente ao Nacional, o Benfica controlou, tentando aqui e ali aumentar a vantagem perante a não-existência do ataque do Nacional. E ainda antes de Kostas Mitroglou oferecer a última dose de tranquilidade (num golo que começou num rapaz que ainda não tinha feito muito durante o jogo, chamado Jonas), Arnaldo Teixeira, adjunto de Rui Vitória, deu os primeiros minutos a Filipe Augusto com a camisola do Benfica. Ou, de outro ponto de vista, deu 12 minutos de descanso a Pizzi, que esta tarde voltou a ser um bocadinho Pizzi, mas que claramente precisa de algum descanso.

Um 3-0 sem contestação, um regresso à liderança, uma missão cumprida. Pelo menos até sexta, tudo ficará mais calmo pela Luz.

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