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O Culebra evitou o culebrón - com a ajuda de Pizzi

O Benfica venceu o Feirense por 1-0, num jogo pouco brilhante e em que Pizzi marcou e André Carrillo, o Culebra, voltou a mostrar que não é o mesmo jogador do início da época. A equipa de Rui Vitória saiu de Santa Maria da Feira com três preciosos pontos e continua líder do campeonato

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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Nos países de língua espanhola, um culebrón é outra forma de dizer novela ou um imbróglio complicado e de difícil e longa resolução. E depois de ver o FC Porto vencer por 7-0, o Benfica sabia que precisava de ganhar em Santa Maria da Feira para evitar um certo e determinado problema difícil e, quiçá, de longa resolução: o de perder a liderança para os azuis e brancos.

Verdade seja dita, o Benfica colocou-se muita vez a jeito para que tal problema acontecesse mesmo. Frente ao Feirense, equipa muito bem organizada por Nuno Manta, as águias nunca conseguiram jogar em alta rotação, os jogadores encarnados foram aqui e ali molengões e os erros também não foram poucos. O golo que na reta final da 1.ª parte acabou por servir para uma vitória complicada e três pontos saborosos foi marcado por Pizzi, mas quem mais fez para evitar o culebrón foi Culebra.

André Carrillo, esse mesmo. Depois de uma primeira parte da época muito apagada, o peruano começa a ganhar preponderância na equipa de Rui Vitória. Esta noite jogou, fez jogar e ainda ajudou (e muito!) no trabalho defensivo da equipa, roubando bolas, cortando outras.

Foi dos pés de Carrillo que saiu o passe milimétrico para Pizzi marcar, aos 42 minutos, o único golo do jogo. Depois de um corte incompleto de Babanco, Culebra ganhou o lance e encontrou o português na área por entre os centrais do Feirense. Pizzi, por sua vez, com um movimento rapidíssimo, deixou Vítor Bruno no chão (literalmente) e rematou para o fundo das redes.

Até então, o Benfica tinha feito muito pouco, num jogo que demorou a começar depois das claques benfiquistas atirarem tochas para a área do Feirense. Uma delas queimou mesmo as redes da baliza e foi preciso resolver o problema para evitar uma coisa deste género:

Logo após o apito inicial, apareceu a primeira oportunidade, um remate perigoso de um grego não chamado Mitroglou mas sim Karamanos, avançado do Feirense. Até aos 20 minutos, o Benfica só por uma vez incomodou, num contra-ataque em que Salvio correu pela esquerda e optou por rematar quando tinha um ror de companheiros (a saber, Pizzi, Mitroglou e Carrillo) em plena grande área para marcar.

Até ao final da 1.ª parte, mais duas oportunidades, uma para cada lado. Primeiro por Mitroglou, que penteou um cruzamento vindo dos pés de Salvio, com Vaná a responder com uma defesa apertada. Minutos mais tarde, Luís Machado, só com Ederson pela frente, deu mal numa bola que também já tinha sido mal cortada por Luisão. E perante tanto jogador desajeitado, a bola acabou muito por cima da barra da baliza do Benfica.

PAULO NOVAIS/LUSA

Na 2.ª parte, o Benfica jogou ligeiramente melhor - ao sabor da subida de forma de Pizzi - e o Feirense apagou-se um pouco. Mitroglou falhou em dois lances que tinham golo escrito na testa e aos quais o grego normalmente chama um figo e acabou substituído por Jiménez. Jonas ainda entrou para o jogo 100 pelo Benfica, Rui Vitória tirou Carrillo aos 63 minutos quando estava a ser o melhor em campo e o Feirense ia marcando outra vez por Karamanos, que desviou um canto para Ederson defender com os pés - na verdade, a bola é que foi ter com os pés de Ederson, que ainda olhou para as redes à procura dela antes de se atirar ao grego, que se preparava para a recarga.

E foi isto. Não foi bonito, não foi fácil, mas o Benfica recolheu os 3 pontos em Santa Maria da Feira, evitou o culebrón e continua líder do campeonato.