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Houve mais Benfica do que em Lisboa? Houve. Mas também houve muito mais Aubameyang

Os encarnados estão fora da Liga dos Campeões depois de caírem em Dortmund por expressivos 4-0. Num jogo em que o Benfica segurou bem o Borussia até aos 55 minutos, Aubameyang redimiu-se do jogo da 1.ª mão marcando três golos, dois dos quais na 2.ª parte, quando a avalancha de ataque dos alemães se tornou demasiado forte para os encarnados

Lídia Paralta Gomes

Wolfgang Rattay/Reuters

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O jogo da 1.ª mão dos oitavos-de-final da Champions entre o Benfica e o Borussia Dortmund foi, digamos, atípico: os alemães atacaram que se fartaram, tiveram um ror de oportunidades e não marcaram. O Benfica foi lá um par de vezes e marcou. Ederson fez aquela exibição que todos nós sabemos e vimos e Aubameyang, o perigoso Aubameyang, falhou três golos feitos e mais uma grande penalidade.

Há dias assim. E se há verdade universal (além de um dos mais deliciosos clichés que me lembro) é aquela que diz que o futebol é isto mesmo.

E tanto é o que aconteceu em Lisboa como o que se passou esta noite em Dortmund, onde o Benfica jogou bem mais do que em casa, teve mais oportunidades que o Borussia Dortmund durante os primeiros 45 minutos, mas Aubameyang também voltou a ser Aubameyang: o gabonês marcou três dos quatro golos com que os alemães derrotaram o Benfica, deixando assim os encarnados órfãos de Champions.

Até ao momento do 3-0, o Benfica disputou a eliminatória. Mais do que disputar, talvez tenha estado por cima a partir dos 15 minutos de jogo. Antes disso, o Borussia tinha entrado praticamente a ganhar. Aos 4 minutos, na sequência de um canto, Pulisic ganhou ao primeiro poste e o desvio foi encontrar Aubameyang ao segundo. Sozinho, o gabonês cabeceou à vontade para abrir o marcador.

Depois das dificuldades da 1.ª mão, Rui Vitória optou para Dortmund por uma mudança tática que colocou André Almeida ao lado de Samaris e Pizzi na linha média, roubando um homem ao ataque. E se no início o Benfica tremeu muito e mostrou grandes dificuldades em acompanhar a rapidez dos homens do ataque do Borussia Dortmund - só Nélson Semedo conseguia seguir o ritmo do comboio amarelo -, o facto é que a meio da 1.ª parte os encarnados tinham os da casa controlados e as melhores oportunidades até estiveram nos pés de Cervi e na cabeça de Luisão.

Um bom momento que se estendeu até ao início da 2.ª parte. Cervi podia mesmo ter marcado aos 47’: Sokratis falhou o corte e o argentino, na área e de frente para a baliza, rematou forte mas contra a montanha amarela que entretanto se tinha formado.

PATRIK STOLLARZ/Getty

O jogo mudou aos 59 minutos. Piszczek lançou Pulisic na área e o miúdo norte-americano, 18 anos de classe, picou por cima de Ederson, colocando o Borussia na frente da eliminatória. E dois minutos depois, com a defesa do Benfica ainda a tentar recuperar do trauma - e a não conseguir - Schmelzer recebeu um passe longo da esquerda, cruzou de primeira para a área e Aubameyang, também de primeira, encostou para o terceiro. E ali, naquele exato momento, acabou tudo.

O Benfica não mais se levantou e o Borussia, em ataques rápidos, os mesmos que nos primeiros 15 minutos deixaram os encarnados algo em pânico, ia ameaçando marcar mais, o que acabou por acontecer aos 85 minutos. Gonzalo Castro foi avançando no terreno, com todo o espaço e mais algum, abriu para Durm que cruzou para Aubameyang fazer o hat-trick.

A goleada é pesada e talvez o Benfica não merecesse um resultado tão volumoso numa 2.ª mão em que mostrou bem mais do que a solidariedade e vontade da 1.ª mão. Mas na 2.ª parte os encarnados cometeram o erro crasso de deixar crescer o ataque do Dortmund que, quando acelerou, não mais travou. E dificilmente Aubameyang tem dois dias maus.

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