Tribuna Expresso

Perfil

Benfica

Estas são as vitórias que não abrem telejornais, mas que podem dar campeonatos

O Benfica venceu o Belenenses por 4-0, num jogo em que não foi exatamente dominador, mas soube marcar nos momentos certos. Os encarnados acabam assim a 25.ª jornada na liderança, que o FC Porto tinha tomado à condição na sexta-feira

Lídia Paralta Gomes

Mário Cruz/EPA

Partilhar

A vitória por 4-0 frente ao Belenenses é mais pomposa do que aquilo que o Benfica mostrou em campo, mas é daquelas vitórias importantes. Porque antes de haver um 4-0, as coisas podiam não ter corrido assim tão bem. O Benfica não espalhou pelo relvado da Luz um grande futebol, uma grande força de vontade ou um domínio avassalador. Mas soube aproveitar os erros e marcar nos momentos certos, principalmente os dois primeiros golos: um aos logo aos 12 minutos, a culminar a melhor fase dos encarnados na 1.ª parte, e outro aos 52’, na jogada seguinte após o Belenenses falhar a sua melhor oportunidade, que resultaria num empate que poderia ter dado problemas à equipa de Rui Vitória.

Pois bem, o segundo golo do Benfica, um remate em jeito de Mitroglou ainda fora da área, matou o jogo numa altura em que o Belenenses crescia. Logo depois de Miguel Rosa rematar ao poste de Ederson, o grego estancou o perigo, e naquele momento garantiu os três pontos para os encarnados, três pontos não muito brilhantes mas merecidos e suficientes para a equipa da Luz voltar para a liderança que o FC Porto tinha tomado à condição.

E se esta vitória não é exatamente uma vitória de encher o olho ou de abrir telejornais (tal como desejava Quim Machado caso o seu Belenenses conseguisse surpreender na Luz), é uma daquelas que podem valer campeonatos.

Será difícil pensar que as ordens de Rui Vitória aos seus jogadores fossem outras que não passassem por começar forte, a atacar muito e tentar marcar cedo. E o Benfica cumpriu, não deixando o Belenenses respirar e tentando de todas as maneiras e feitios chegar à área, fosse por cruzamentos ou por jogo interior. Mas o primeiro golo do Benfica não surgiu de um cruzamento ou por jogo interior: foi preciso Miguel Rosa fazer um erro daqueles. O ex-Benfica tentou dominar com o peito um lançamento longo de Pizzi já em plena área mas, em vez disso, saiu-lhe uma assistência para André Almeida, que apareceu de rompante nas costas do médio e rematou de pé esquerdo para o seu primeiro golo no campeonato.

Os anglo-saxónicos têm um ditado que diz Jack of all trades, master of none. O que na nossa língua procura definir uma daquelas pessoas que sabe fazer um pouco de tudo, mas não é verdadeiramente boa em nenhuma delas. André Almeida cabe aqui, mas a verdade é que esta noite foi um dos melhores do Benfica.

Mário Cruz/EPA

A partir daí o Benfica baixou muito o ritmo, o Belenenses foi tentando aqui e ali fazer algumas jogadas de ataque de construção mas, verdade verdadinha, o jogo ficou muito desinteressante até ao início da 2.ª parte, quando voltou a haver algum Benfica e o Belenenses foi em busca do empate.

Empate que podia ter surgido aos 51 minutos. Depois do erro, Miguel Rosa quase se redimia com um tiro de longe que foi embater com estrondo no poste de Ederson. E ao susto, Mitroglou respondeu com um belíssimo golo na jogada seguinte. Maurides teve ainda na cabeça a oportunidade de colocar o resultado em 2-1, mas errou o alvo e aos 60 minutos Salvio aproveitou a cavalgada sem oposição de Zivkovic para receber o passe do sérvio à entrada da área e imitar Mitroglou: mais um remate colocado, mais um bonito golo, embora Cristiano se pudesse ter lançado mais cedo.

Com tudo resolvido, o marcador ainda podia ter sofrido alterações para os dois lados, algo que só aconteceu numa das últimas jogadas do encontro: Samaris brilhou no centro, lançou Mitroglou na ala com o grego a cruzar para Jonas, que com uma bela receção orientada seguida de remate, voltou a marcar no regresso à titularidade - o brasileiro não estava no onze desde 10 de fevereiro.

Partilhar