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O perigo verde e branco que veio duas semanas mais cedo

O Benfica foi a Moreira de Cónegos arrancar uma daquelas vitórias (1-0) para as quais a expressão "estrelinha de campeão" foi inventada. Quando toda a gente já só fala do dérbi, os encarnados estiveram muito perto de se meter em sarilhos duas semanas antes e bem podem agradecer à falta de eficácia do Moreirense

Lídia Paralta Gomes

OCTAVIO PASSOS/LUSA

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O Sporting-Benfica é só daqui a duas semanas e já não se fala de outra coisa. Porque depois do empate da última semana no clássico da Luz, ficou definido o mais que provável jogo do título. Pois bem, talvez ninguém tivesse pensado que antes disso haveria uma outra equipa de verde e branco que iria criar muitas dificuldades ao Benfica.

O Moreirense, o tal Moreirense que até já tinha causado um dos grandes amargos de boca ao Benfica esta época, ao eliminar os encarnados da Taça da Liga.

Esta noite, não aconteceu nova surpresa, o Benfica venceu por 1-0, apesar de se ter colocado a jeito, muito a jeito. Depois de abrir o marcador, no final da 1.ª parte, numa das raríssimas oportunidades e na sequência de um lance de bola parada que vai fazer correr muita tinta, a equipa de Rui Vitória regressou do balneário sem capacidade para controlar o jogo e bem pode agradecer à falta de cabeça fria do ataque do Moreirense, muito bem a chegar à área do Benfica, mal na hora de matar.

E nos últimos minutos, a cara de preocupação que vinha do banco do Benfica dizia tudo: antes do jogo do título, há jogos que, em maio, poderão valer tanto ou mais. E este poderá ser um deles.

Benfica sem espaço

Há uma palavra para este jogo e essa palavra é “espaço”. Espaço que o Benfica não teve, porque o meio-campo do Moreirense é duro e físico e imaginação e brilho individual foi coisa que não houve, e espaço que o Moreirense teve, mas que não soube aproveitar.

A história da 1.ª parte faz-se com um Benfica de posse, mas sem critério para chegar à área (fê-lo uma vez com relativo perigo, com Sagna a evitar que a bola chegasse a Jonas), porque o Moreirense defendeu bem, tentando sair em ataque rápido com os olhos colocados num homem: Dramé, um trator, ou melhor, um monster truck porque um trator é possante mas não é rápido e Dramé tem tudo isso.

OCTAVIO PASSOS/LUSA

A verdade é que, injustamente, Dramé acabou protagonista por algo que não estava à espera. Elétrico a atacar e voluntarioso a defender, aos 42 minutos o francês lançou-se a uma bola que estava nos pés de Nelson Semedo. Após uns segundos de indefinição, o árbitro marcou falta para desespero do banco do Moreirense: a falta, de facto, parece não existir.

Na sequência, Pizzi coloca na área e Mitroglou acerta o tempo de salto - algo que não tinha feito uns minutos antes, após cruzamento de Semedo - e colocou o Benfica a ganhar.

Avisados pelo que o Moreirense tinha feito na Taça da Liga, em que na 2.ª parte deu a volta ao jogo, o Benfica tentou colocar água fria no jogo, mas não conseguiu: os da casa voltaram do intervalo com vontade de ganhar todas as bolas e partir o jogo. E os ataques rápidos, normalmente conduzidos por Dramé ou Boateng, foram um quebra-cabeças para o meio-campo e defesa do Benfica.

Até porque ataque deixou de existir.

O Moreirense, por outro lado, teve duas claras oportunidades para marcar. Logo aos 50 minutos, Salvio corta mal e a bola vai parar a Dramé, que corre pela esquerda da área mas falha a tentativa de chapéu a Ederson - Lindelof estava lá para evitar que a bola fosse para a baliza.

Mais escandalosa foi a perdida de Neto aos 68 minutos, após mais uma arrancada de Dramé (sempre ele), desta vez pela direita. Com espaço (lá está), o francês foi à linha e cruzou atrasado para Neto, com a defesa do Benfica apanhada toda em contra-pé. Mas o médio brasileiro, como se costuma dizer, “deslumbrou-se” e rematou enrolado.

Pelo meio, um sem número de arrancadas dos jogadores do Moreirense, que terminaram invariavelmente com um mau passe ou uma má decisão.

Com o coração nas mãos, Rui Vitória demorou uma eternidade a mudar o que era realmente importante: o meio-campo. O Benfica, que fisicamente pareceu muito em baixo, só respirou a partir dos 80 minutos, com a entrada de Samaris: com o grego e Fejsa, os espaços deixaram de existir e o Moreirense não mais conseguiu criar perigo.

Porque até lá tinha sido a equipa que mais tinha feito por ganhar. Mas quando se inventou a expressão "estrelinha de campeão" foi a pensar em jogos assim.