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“Sigo atrás de ti, vigilante” - A carta de António Simões ao amigo José Augusto, que faz 80 anos

José Augusto, o Zé da Europa, o Magriço, o vencedor de duas Taças dos Clubes Campeões Europeus e de oito campeonatos nacionais, faz 80 anos esta quinta-feira. E a Tribuna Expresso pediu a António Simões, com quem ganhou muitas destas coisas, para lhe escrever uma carta

António Simões

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Meu querido amigo e companheiro Zé da Europa:

Aceita o meu abraço fraternal. Abraço destes, grande José Augusto, já te dei mais de meia centena de vezes.

Vais conquistando pontos nesse jogo tão bonito que é a vida. Octogenário? Para o que deu, insistes em ganhar o campeonato da longevidade. Fazes bem, fazes muito bem mesmo. Tu és um campeão, tens a fibra, tens o músculo, tens a alma. Estás fresco e ágil. Estás fino e resoluto. Mas olha que no nosso Benfica, o Rogério Pipi já vai com mais de noventa. E o Zé Bastos? E o Ângelo? Segue o trilho da conquista, quero e sei que te vou dar muitos mais abraços de parabéns.

Continuas a ser um irrepreensível homem de família, não te esqueças de dar um beijo à tua mulher, que de forma exemplar dignificas. A ela e a todos os teus descendentes, eles que transportam um sangue vermelho-vivo, carregado de intensidade bonita.

E o teu Barreiro? Tanto amor declarado, tu que és um dos grandes filhos dessa terra emblemática, património de ideias que fazem agitar as boas vontades. Sou teu vizinho sentimental, recordo-te, ou não tivesse nascido na Cruz de Pau, dentro das fronteiras do belo Seixal, que hoje até serve de fábrica de talentos desses meninos que soubeste inspirar.

Que dizer do Benfica, o grande amor que partilhamos? Somos tricampeões, caminhamos para o tetra. Não é treta, amigo, é mesmo tetra. Podemos lá chegar daqui a um mês, algo que nem tu nem eu conseguimos, nem os nossos saudosos Eusébio e Coluna.

O Benfica está um clube imenso com todos os traços de modernidade, orgulho maior da nossa condição lusitana. E a Seleção Nacional, tal como nós na epopeia de 66, tem brilhado a grande altura, muito na esteira do teu exemplo, enquanto responsável máximo, na Minicopa de 72, no Brasil.

Sigo atrás de ti, vigilante. Sabes que o apreço é sentido. Vou querer apanhar-te na idade, mas tenho consciência de que, por maior o esforço, jamais saberei contar histórias de forma brilhante, um dos teus traços distintivos.

Abraço rubro do teu amigo,

António Simões

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