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Até deu para Kalaica

Num jogo em que Rui Vitória deu o tetra a mais quatro jogadores, o estreante Kalaica agradeceu a confiança com o golo que selou a recuperação do Benfica num empate a 2 no Bessa

Tiago Oliveira

JOSE COELHO / LUSA

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Foi bonita a festa, pá, como diria Chico Buarque. Houve Marquês, houve Eliseu, houve scooters , águia Vitória, receção na câmara municipal e emoção a rodos. Deu para tudo. Até para recuperar forças e ir buscar um empate no último minuto por um herói improvável, o croata Kalaica. Sim, não foi vitória para o Benfica. Mas o empate a 2-2 com o Boavista quase pareceu.

Quem viu o jogo até aos 70 minutos decerto que nunca apostaria em tal desfecho. Até aí viu uma equipa apática, sem ligação entre jogadores e que parecia ainda estar na ressaca dos loucos festejos do tetra. Se Rui Vitória queria dar oportunidades aos menos utilizados e dar alegria aos benfiquistas mais a norte, a mensagem não estava a passar para o relvado. Mas, como todos sabemos, no futebol tudo pode mudar num clique. E aí, a história virou completamente ao contrário. Já lá vamos.

Os campeões nacionais apresentaram-se para o última jornada do campeonato com muitos regressos e três caras novas para poderem juntar o título ao currículo. Pedro Pereira, Kalaica e Marcelo Hermes estrearam-se no Bessa para o campeonato num onze onde tudo era novidade. O que foi por demais evidente ao longo da partida.

Do outro lado, uma equipa sólida vinda de um caminhada tranquila e que já tinha causado uma das sensações da prova ao empatar a 3-3 na Luz. E agora o Boavista não tencionava fazer figura de corpo presente na última jornada de festa. Apesar de estarem em minoria, os adeptos deram sinal à equipa que não era para relaxar. Ainda havia um jogo para disputar.

Plenamente imbuído desse espírito estava Iuri Medeiros, talvez a tentar provar à casa mãe é que o capaz de fazer contra o grande rival. O extremo emprestado pelo Sporting foi um quebra cabeças ao longo de todo o jogo para a improvisada defesa benfiquista e após um início morno de partida, deu o mote aos 16 minutos. Grande abertura pelo ar para Fábio Espinho que cruzou para o segundo poste onde Renato Santos apareceu completamente desmarcado e com a baliza aberta para fazer o 1-0 perante Júlio César.

Início aziago a que os encarnados nunca conseguiram verdadeiramente responder ao longo da primeira parte. Futebol sem ideias, sem a chama que levou ao tetra e que permitiu ao Boavista controlar as operações sem grande dificuldade. O que também se traduziu no deserto de oportunidades de golos (à parte do tento) com que chegamos ao intervalo.

Claramente a precisar de um safanão, a equipa entrou mudada para a segunda parte com a substituição de Hermes por Rafa Silva. Rapidamente o jogador mexeu com o desafio e contribuiu para uma ligeira melhoria inicial do Benfica. Contudo seriam os axadrezados a mexer outra vez no marcador. Mais uma vez destaque para a visão de jogo de Iuri, que desmarcou Schembri para o remate cruzado que aos 52 minutos fez o 2-0. Tudo parecia mais complicado e a reação imediata não deu confiança.

Barra, poste, delírio

Raúl Jimenez entrou para colocar pressão assim como Paulo Lopes, sob uma chuva de aplausos, para dar mais um título de campeão ao eterno terceiro guardião e oferecer força anímica. Sem grande efeito, parecia, até ao minuto 71. Numa grande arrancada desde o meio-campo, Rafa, quem mais, galgou metros e serviu Mitroglou que não deu hipóteses a Wagner. 2-1 e jogo relançado.

Perante o ímpeto dos muitos benfiquistas presentes, os encarnados acentuaram a pressão e partiram em busca de algo mais que a derrota. Num contra-ataque, Iuri ainda deu calafrios mas o remate saiu ao lado. Rafa também esteve a centímetros mas o momento da noite estava mesmo guardado para o fim. Canto para o Benfica, bola na cabeça de Kalaica, barra, poste, golo e delírio. Tento nos descontos do estreante e festa lançada no Bessa.

No final, um empate a 2-2 com sabor a vitória e mais uma demonstração de reação às adversidades que é uma marca do Benfica de Rui Vitória. Com equipa A ou B. Pausa na festa agora porque o Jamor e o Guimarães estão já aí.

  • "Preocupámo-nos acima de tudo connosco"

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    No final do jogo, o treinador do Boavista, Miguel Leal, garantiu que a equipa cedeu o empate na segunda parte muito por culpa do cansaço dos jogadores. Quanto a Rui Vitória, afirmou que a equipa não se preocupou com terceiros ao longo da época e destacou ainda a força de vontade dos jogadores durante a temporada

  • "Estamos muito orgulhosos pelo feito que conseguimos"

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    Paulo Lopes foi o único jogador do Benfica na zona mista, após o empate no Bessa. O guarda-redes que entrou na parte final do jogo afirmou que o objetivo da equipa estava cumprido e que, apesar dos poucos minutos que jogou, está sempre disponível para a ajudar a equipa