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Não há clube na Europa que ganhe mais dinheiro com vendas do que o Benfica

Entre os 32 clubes europeus mais valiosos, o Benfica foi o que mais retorno sobre lucro gerou na época passada: por cada 100 milhões de euros em receitas, o clube da Luz registou 30 milhões de lucro antes de impostos, segundo um estudo da auditora KPMG, que a Tribuna Expresso revela em primeira mão

Diogo Pombo e Carlos Esteves

MIGUEL RIOPA

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Há sempre o momento em que uma empresa, antes de começar a contar com impostos e juros, averigua os resultados das vendas que efetuou, num ano. Ou numa época desportiva, como é o caso do Benfica, uma empresa que é um clube de futebol. E, comparado com os clubes de futebol na Europa que mais dinheiro geram, foi o que registou maior margem de lucro com as vendas que fez em 2015/16 - por cada 100 milhões de euros em receitas com ativos vendidos, o Benfica conseguiu registar 30 milhões de lucro.

Ou seja, na temporada passada, o Benfica foi o clube cujas vendas mais se traduziram em lucro para a empresa. É uma das conclusões do estudo “Football Club’s Valuation: The European Elite 2017”, realizado pela auditora KPMG, que colocou os encarnados no 23º lugar da lista dos 32 clubes mais valiosos na Europa.

E o que diz isto sobre o Benfica?

Que, no fundo, teve um produto lucrativo e/ou uma boa gestão. Saindo dos termos económicos, quererá dizer que o Benfica tinha bons jogadores que comprou barato para os vender caro, e que baseou a sua gestão nessa ideia. Uma ideia que lhe deu a maior margem de lucro, em vendas, da Europa, superior à do Manchester United, Real Madrid ou Barcelona, os tubarões que, por esta ordem, foram os três clubes mais valiosos em 2016.

Logo, com o somatório entre o valor das ações e o da dívida líquida mais elevado. Ou, mais simplificado ainda, os clubes pelos quais mais se teria de pagar caso a vontade fosse comprá-los.

O Benfica, mesmo tendo sido o clube com a maior percentagem de retorno sobre as vendas (30%), surgiu apenas no 23º da lista dos mais valiosos, com 340 milhões de euros - o que representa um aumento de 19% face à época anterior.

Esse ranking é liderado pelo Manchester United, seguido pelo Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e pelo Manchester City.

O Benfica é o único clube português na lista e o décimo cujo valor mais cresceu face ao estudo anterior - à frente estão o Lyon (+71%), o Galatasaray (+68%), o Sevilha (+44%), o Fenerbahce (+36%), o Atlético Madrid (+34%), o Tottenham (+26%), a Juventus (+24%), o Manchester City (+22%) e o PSV Eindhoven (+20%).

O FC Porto, que constava na lista do ano passado, saiu. Por isso, Portugal é o único país cujo valor de mercado decresceu em relação à época anterior (-28%).

As receitas televisivas

Outro dos aspetos escrutinados pelo estudo da KPMG é o das receitas televisivas. O líder continua a ser, de longe, a Inglaterra, que em 2015 assinou um novo acordo, no valor de quase 7 mil milhões de euros - o tal que faz com que o Huddersfield Town, recém-promovido à Premier League, vá receber 111 milhões de euros só em direitos televisivos.

Seguem-se Espanha e Alemanha, países onde as ligas negoceiam os direitos televisivos como um bolo, em nome dos clubes, que depois recebem uma fatia, cada um, a bem da maior igualdade possível. O que não acontece em Portugal, como sabemos, situação que não mudará até 2028 - ano até ao qual vigoram os contratos que os três grandes assinaram em 2016.

Isto interessa porque, olhando, como olha o estudo, para as receitas da UEFA que os clubes de cada país receberam, Portugal teve a maior fatia proveniente de prémios de jogo nas últimas duas épocas - é o único país em que menos de um terço do dinheiro da UEFA para os clubes veio de receitas com direitos televisivos