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Benfica regressa às vitórias com um Seferovic de se lhe tirar o chapéu

O Benfica venceu esta noite o Bétis por 2-1, no Estádio do Algarve. A equipa viu Luisão regressar e Seferovic brilhar. Encarnados melhores nas transições do que na construção, a precisar de criatividade no meio-campo e de uma solução à direita.

FILIPA SILVA

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Depois da pesada derrota diante do Young Boys e na estreia em solo nacional, o Benfica deixou uma imagem positiva aos adeptos que foram ao Estádio do Algarve esta quinta-feira à noite.

A equipa de Rui Vitória saiu de campo com uma vitória por 2-1 sobre o Real Bétis e a taça do Algarve Futebol Cup.

O prémio de melhor em campo foi para Seferovic que esta noite assinou os melhores momentos do jogo encarnado: dois belos golos, um em cada parte, a mostrarem que Mitroglou e Jiménez - este ainda de férias - têm concorrência na frente de ataque.

Vitória mudou apenas três peças face ao encontro anterior: Pedro Pereira no lugar do lesionado André Almeida, o capitão Luisão de regresso no lugar de Lisandro e Cervi por troca com Diogo Gonçalves.

Uma grande exibição

Seferovic cumpriu o terceiro jogo a titular no Benfica e tem melhorado a cada encontro.

Frente ao Neuchatel já tinha feito o gosto ao pé, mas esta noite fez o gosto ao público ao marcar dois golos de belo efeito. Fejsa e Jonas estiveram em ambos. No primeiro, a bola intercetado pelo médio chega a Jonas que desmarcou com precisão o suíço. Seferovic, de primeira, ainda fora da área, colocou a bola por cima de Anan.

O segundo golo apareceu logo a abrir a segunda parte. Mais uma bola intercetado por Fejsa. Seferovic encontrou Jonas que, de costas para a baliza adversária, amorteceu de peito para Rafa. O ala, de primeira, faz um passe a rasgar para Seferovic que levou a bola para concretizar num remate cruzado e rasteiro. A bola beijou o poste e entrou.

A boa exibição de Seferovic não se fica pelos golos que marcou. O suíço mostrou bom posicionamento e mobilidade, tendo conseguido fazer também algumas recuperações.

Esteve sempre bem acompanhado quer por Jonas quer por Rafa, os três elementos com mais qualidade do Benfica.

Dificuldades na construção

Rui Vitória voltou a apostar em dois médios de características defensivas no onze inicial - Fejsa e Filipe Augusto - e isso reflete-se nas dificuldades de construção ofensiva da equipa, mais apoiada nas faixas laterais.

Fejsa esteve bem, sobretudo no plano da recuperação. Filipe Augusto nem por isso. O médio correu muito mas evidencia dificuldades na relação com a bola.

A equipa apresentou-se bem organizada na fase inicial da partida e a fazer pressão na saída de bola do adversário, mas demorou a ter a posse de bola a seu favor. Lances de perigo, criou alguns, quase sempre fruto de transições ofensivas rápidas. Continua a não conseguir ter o controlo do jogo.

Laterais

Com André Almeida lesionado, o jovem Pedro Pereira assumiu a titularidade na direita mas mostrou alguma insegurança. Não arriscou no ataque, apoiou pouco Rafa e aos 41 minutos teve uma desatenção que levou perigo à área encarnada. Foi substituído ao intervalo por Aurélio Buta, que se estreou com a camisola da equipa principal. Buta pareceu mais desinibido, mas não muito mais do que isso.

Do outro lado, Hermes esteve em melhor plano, essencialmente na primeira parte e pelo seu envolvimento no ataque. Fez um corte importante ao segundo poste num canto do Bétis aos 25 minutos e fez um bom centro para o coração da área aos 36, onde Seferovic apareceu na cara do guarda-redes. Mas foi da direita que nasceu o golo do Bétis e os principais lances de perigo dos espanhóis. O adversário tem mérito na jogada mas há também responsabilidades do Benfica no plano da transição defensiva.