Tribuna Expresso

Perfil

Benfica

Benfica: o melhor e o pior do teste frente ao Hull City

Os encarnados perderam este sábado frente ao Hull City (1-0), num jogo em que ofereceram uma parte ao adversário, depois de Rui Vitória apostar num onze com muitos jovens e muitas alterações face ao encontro com o Bétis. Só com a entrada dos consagrados é que o Benfica conseguiu dominar, mas o golo acabou por não surgir

Lídia Paralta Gomes

RICARDO NASCIMENTO/EPA

Partilhar

Por esta é que provavelmente os adeptos do Benfica não esperavam - quer dizer, também não esperavam ser derrotados pelo Young Boys. No Estádio Algarve, os campeões nacionais perderam com o Hull City por 1-0, num jogo em que Rui Vitória operou uma verdadeira revolução no onze, dando a titularidade a muitos jovens e outros jogadores ainda sem lugar assegurado no plantel encarnado.

E Vitória não terá ficar propriamente impressionado com o que viu na 1.ª parte, com muito pouco ritmo, muito pouco intensidade e erros comprometedores. O Benfica só estabilizou a partir dos 60 minutos, com a entrada de Jonas, Zivkovic e Seferovic, mas o Hull já tinha marcado antes, por Jerrod Bowen (59') e apesar das inúmeras oportunidades criadas, a bola acabou por nunca entrar.

Foi um teste pouco conseguido para o Benfica, mas importante para Rui Vitória definir exatamente quem quer no plantel desta época.

O MELHOR

Martin Chrien e Chris Willock
Num jogo fracote do Benfica, a entrada de Martin Chrien e de Chris Willock foi assim uma espécie de pedrada no charco. Belos pormenores dos miúdos, sem medo em arriscar passes de rutura para os seus avançado e responsáveis pelos dois dos lances de maior perigo do Benfica. Primeiro foi o eslovaco aos 66 minutos, quando encontrou Zivkovic na área, com o sérvio a deixar para Jonas que rematou com perigo. E aos 83 o inglês cruzou perfeitinho para Seferovic, com o suíço a rematar em cheio no ferro.

Em menos de 45 minutos fizeram bem mais do que outros jogadores do Benfica em vários jogos da pré-época. Uma boa dor de cabeça para Rui Vitória.

Com os craques é outra coisa
Depois de uma 1.ª parte muito fraca, o Benfica voltou a não entrar bem para o segundo tempo e o golo do Hull ainda antes dos 60 minutos não foi exatamente uma surpresa. Já se sabe que os jogos de pré-época valem o que valem, mas ninguém gosta de perder e com o golo do adversário Rui Vitória não teve remédio senão colocar a artilharia pesada.

Entraram Jonas, Zivkovic e Seferovic e a partir daí só deu Benfica, até porque são jogadores que se entendem perfeitamente - inclusivamente o reforço suíço. Muito mais perigosos, muito mais pressionantes e a criar muito mais oportunidades, os encarnados passaram boa parte da 2.ª parte em cima do Hull e mereciam pelo menos o empate.

Com eles em campo (e Chrien e Willock), o Benfica inverteu totalmente a estatística, liderando na posse de bola e, de longe, nos remates e ataques. Com os pesos-pesados é, naturalmente, outra coisa.

O PIOR

Perdas de bola
Durante o jogo houve muitas “pequenas” perdas de bola dos encarnados ao longo do jogo, daquelas que até nem dão em nada, só irritam o treinador e os adeptos. Mas também houve duas fatais, daquelas que dão cabo de qualquer equipa. A primeira ainda na 1.ª parte, quando André Horta perdeu a jogada para Abel Hernandez que, para alívio dos encarnados, rematou ao ferro. Mas na 2.ª parte, mais uma perda comprometedora acabou mesmo por dar golo. Lisandro López tentou sair a jogar em zona proibida, perdeu a bola e Jerrod Bowen aproveitou para fazer o golo (e que belo golo) que definiu o resultado final.

É um jogo de pré-época, é certo, mas não deixam de ser erros graves e que custam vitórias.

Primeira parte
Rui Vitória mudou boa parte da equipa em relação ao último teste, com o Bétis, e a equipa ressentiu-se. E de que maneira. Com muitas caras novas no onze, os encarnados não atinaram na 1.ª parte, quer a atacar como a defender. Muito pouco ritmo, pouca intensidade, menos fluidez e oportunidades quase nulas, com jovens e consagrados a não conseguirem superiorizar-se a uma equipa que esta temporada vai jogar na 2.ª divisão inglesa. Salvou-se a atitude de Luisão.

Oportunidades perdidas
A 1.ª parte deste encontro com o Hull City pode ter colocado vários jogadores mais fora do que dentro do plantel de Rui Vitória. O treinador do Benfica deu a titularidade a Diogo Gonçalves, João Carvalho, André Carrillo, André Horta e Buta, elementos que ainda precisam de convencer o treinador, e destes apenas Buta saiu com nota positiva.

Todos os outros perderam a oportunidade de se mostrar e na altura de cortar, Vitória vai certamente lembrar-se dos primeiros 45 minutos de quase inatividade do Benfica frente ao Hull.