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Benfica: o pior são as quatro derrotas e os 14 golos sofridos; a melhor parte é que já acabou

O Benfica acaba a pré-época com outro deslize diante do Red Bull Leipzig (0-2), em Londres. Safaram-se Jonas e Pizzi, quando entraram

Pedro Candeias

IAN KINGTON

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Vamos recapitular: o Benfica disputou seis jogos nesta pré-época frente a adversários comezinhos, outros de porte médio e apenas um que podemos classificar, vá, tubarão - o Arsenal, contra quem perdeu por 5-2. Os restantes foram estes: Neuchâtel Xamax (1-0), Young Boys (1-5), Bétis (2-1), Hull City (0-1) e, ainda há pouco, o Red Bull Leipzig (0-2).

Contas feitas, quatro derrotas, duas vitórias, sete golos marcados e 14 sofridos.

Sim, é pré-época, sim, o Benfica ainda não fechou o plantel - mas, sim, o Benfica perdeu o dobro das vezes das que ganhou e sofreu o dobro dos golos que marcou e, sobretudo, não jogou bem.

Este domingo, aliás, jogou mal.

O Red Bull Leipzig entrou com a segunda linha, o Benfica entrou com a segunda linha e falhou em todas as linhas: na defensiva, porque cometeu erros atrás de erros, com perdas de bola bizarras, por exemplo, de Grimaldo; na intermediária, porque nem Fejsa nem Chrien ou Cervi conseguiram fazer alguma coisa, muito menos Carrillo [já lá irei, tem um subtítulo dedicado]; e Rafa foi Rafa, ou seja, inconsequente, e Jiménez não foi Jiménez, ou seja, insipiente.

Os golos dos alemães surgiram de bola corrida (Marcel Halstenberg, minuto 19) e de bola parada (Marvin Compper, minuto 52), dois lances em que o apático processo defensivo ficou à mostra. Obviamente, jogar com Bruno Varela, Pedro Pereira, Rúben Dias, Lisandro e Grimaldo é um convite ao erro, porque os jogadores não se conhecem bem, mas do meio-campo para a frente também se viu um desatino constante de equívocos e uma ausência notável de intensidade. Que o cansaço pode explicar em parte, mas não no todo.

Agora a que a pré-época acabou, o Benfica tem cinco dias para dar a volta ao texto, porque a Supertaça vem aí. É provável que o consiga, porque há homens que, quando entram (Jonas e Pizzi), sacodem a letargia porque são bem melhores do que a média dos futebolistas em Portugal e isso chega para ganhar à generalidade das equipas em Portugal.

A todas, menos a duas ou três, porque é inegável que o Benfica - sem Ederson, Semedo e Lindelöf, e com Luisão mais velho um ano - está mais fraco do que no ano passado e é evidente que não tem soluções no plantel que permitam disfarçar esse problema. Tem até 31 de agosto.

O pior

Quase tudo. Durante 70 minutos, o Benfica esteve desligado, amorfo e errático - e alheado. Cervi empenhou-se mas não teve cabeça para passar a bola quando devia, Chrien não conseguiu organizar o jogo e Rafa sprintou que se fartou (já o disse).

Mas houve um jogador que esteve mais abaixo do que isso. O jogador, que sem pressão alguma e com dois colegas na grande área à espera da bola, cruzou para o segundo poste onde não estava ninguém, mais do que uma vez; o jogador que se deliciou a fazer roletas no seu meio campo-defensivo, pelo menos uma vez; o jogador que falhou dribles, uns atrás dos outros, e encolheu os ombros consecutivamente

Esse jogador é Carrillo e ele conseguiu ser o pior em campo quando dentro de campo estiveram miúdos como Pedro Pereira ou Rúben Dias ou Chrien.

O melhor

Jonas. O brasileiro entrou ao minuto 60 e mexeu os cordelinhos como de costume. Se se sentiu uma ténue impressão de que o Benfica estava ali para jogar à bola foi por culpa de Jonas. E Jonas tem 33 anos.