Tribuna Expresso

Perfil

Benfica

Um ataque que não é feito de esferovite - é mesmo de Seferovic (e Jonas)

O Benfica entrou a ganhar no campeonato, com uma vitória por 3-1 frente ao Sp. Braga e uma demonstração de qualidade dos dois avançados titulares da equipa de Rui Vitória. O suíço Seferovic e o brasileiro Jonas entenderam-se na perfeição (de novo) num belo jogo de futebol, em que o ritmo só abrandou nos últimos minutos

Lídia Paralta Gomes

O trio maravilha da Luz: Pizzi, Jonas e Seferovic

FRANCISCO LEONG/Getty

Partilhar

Ainda nos primórdios da pré-época, numa daquelas sondagens/entrevistas à boca do estádio, um adepto do Benfica é questionado sobre as primeiras impressões dos reforços do Benfica. O adepto responde com qualquer coisa parecida com “esferovite” e dá para perceber que fala de Seferovic.

A confusão percebe-se. Afinal estamos a falar de um suíço mas com nome bósnio, a terra dos pais do avançado que o Benfica foi resgatar a um Eintracht Frankfurt onde parecia estagnar a cada ano. Não fica logo no ouvido, é um facto.

Mas não, de esferovite não é feito de certeza o internacional helvético, que ao primeiro jogo na Liga portuguesa mostrou já uma qualidade individual e um entendimento com Jonas que nos fazem relembrar as palavras que Guardiola proferiu sobre Bernardo Silva esta semana. Congratulava-se então o técnico do Man. City que os jogadores inteligentes não precisam de muito tempo para se adaptarem a uma nova equipa - e Seferovic, salvo as devidas distâncias, parece ser um desses casos.

A vitória do Benfica frente ao Sp. Braga por 3-1, no primeiro jogo do campeonato, deve-se muito a Seferovic e a Jonas. Pelos golos que marcaram (um cada um), mas também pelas oportunidades que criaram (muitas cada um). Mas se do brasileiro já conhecíamos a inteligência, o faro e o que joga e faz jogar, de Seferovic conhecemos agora a facilidade de remate, a forma como cria linhas de passe, como procura as costas dos defesas adversários.

É de Seferovic então o primeiro golo do Benfica, logo aos 15 minutos, quando Jonas descobre - e o termo é mesmo esse, descobre - Seferovic entre os enormes centrais bracarenses. O cruzamento foi perfeito e a movimentação do suíço não lhe ficou atrás - e assim é fácil fazer golos.

FRANCISCO LEONG/Getty

E em boa hora surgiu o golo encarnado, porque nos primeiros minutos o Sp. Braga havia farejado muitas vezes a área do Benfica. Os da casa tinham mais bola, mas os minhotos, com contra-ataques rápidos e transições fáceis, criaram algum perigo: aos 7 minutos, Vukcevic fez um “Hurtado” - imitou o vimaranense, que na Supertaça, em frente à baliza chutou contra o próprio pé.

A seguir ao golo de Seferovic o Benfica cresceu. O suíço criava situações de perigo com a mesma naturalidade de quem bebe um copo de água e à meia-hora de jogo foi a vez do seu novo melhor amigo aumentar a contagem. Depois de dar um golo a marcar, Jonas estava lá quando Raúl Silva aliviou mal um cruzamento. Armou o pé e sem deixar cair a bola no chão rematou à meia-volta para o fundo da baliza.

Parecia tudo fechado, tal era a facilidade com que o Benfica trocava a bola e fazia transições mas, tal como na Supertaça, os encarnados erraram quando não se deve errar: a poucos minutos do intervalo. Fransérgio (um dos melhores do Sp. Braga) levantou a cabeça e viu Esgaio a fugir na direita. O antigo lateral do Sporting deixou Eliseu fora da jogada com um passe lateral para Hassan e o egípcio ultrapassou Jardel e com um pequeno toque picou a bola sobre Varela.

E ao intervalo, tudo estava em aberto.

Na 2.ª parte o Sp. Braga entrou bem e os primeiros minutos foram de grande equilíbrio e grande intensidade, não muito normal numa fase tão precoce da época. O jogo estava bom (aliás, o jogo foi quase sempre bom, de parte a parte), estava vivo, com direito a golos anulados pelo vídeo-árbitro e interessantes lances de ataque das duas equipas. E assim continuou mesmo após o terceiro golo do Benfica, numa jogada de algum azar de novo para Raul Silva, que aos 57 minutos desviou um cruzamento rasteiro de Cervi e involuntariamente isolou Salvio que só teve de rematar para a baliza deserta.

MARIO CRUZ/EPA

A entrada de Filipe Augusto a 15 minutos do fim marca o momento em que o jogo passou a ser mais controlado e menos eufórico, de tal forma que ainda deu para Rui Vitória dar minutos ao miúdo Diogo Gonçalves e Abel Ferreira ao adolescente Pedro Nuno.

Mais uma vez o Sp. Braga sai da Luz sem vencer e já lá vão 53 anos desde a última vitória em terreno encarnado para o campeonato - e nem foi na Luz, já que o encontro se disputou no Jamor. A equipa de Abel teve a gasolina que o técnico prometeu, mas não deu para queimar uma frente de ataque que não é de esferovite: é de carne e osso e cheia de qualidade.