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O curioso caso Mitroglou: O grego podia ter ido para a China por €45 milhões, diz o empresário que o Benfica tem como “pouco credível”

Paulo Teixeira, um empresário luso-brasileiro, alega que o Benfica podia ter vendido Mitroglou por 45 milhões de euros, em fevereiro (o triplo do valor pelo qual o grego foi para o Marselha), para a China, criticando Luís Filipe Vieira - “um 4 em 1”, como lhe chama - por supostamente ter envolvido Jorge Mendes no negócio. Benfica diz que recebeu proposta pelo avançado grego, mas nunca com Paulo Teixeira envolvido, por ser alguém “pouco credível”

Diogo Pombo

BORIS HORVAT

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Era meio da primavera, em fevereiro, e houve no dia 7 uma capa de “A’Bola” na qual estava o grego com a cara que nós sabemos, que pouco se ri e muito pouco mostra os dentes, com a manchete de que recusara seguir a maré dos futebolistas que vão jogar para a China. Queria ser campeão pelo Benfica, lia-se, e não havia salário chorudo que o demovesse da intenção.

Mas, segundo um empresário, essa capa e essa manchete apareceram a pedido de um homem: “Você vai ler uma notícia n’A Bola na qual o Mitroglou diz que não quer ir para a China. Não se preocupe, eu é que mandei pôr”.

O homem que disse isto é Luís Filipe Vieira, segundo o diz que disse do tal empresário, Paulo Teixeira, que no domingo escreveu uma longa publicação no Facebook sobre Kostas Mitroglou, o avançado que o Benfica vendeu no último dia do mercado para o Marselha por 15 milhões de euros.

Ora, o cerne do post do empresário luso-brasileiro é esse - de acordo com a história que ele conta, o clube da Luz podia ter vendido o avançado ao Quanjin Tianjin, da China, por 45 milhões, em fevereiro.

O Benfica, de facto, podia tê-lo feito, mas não o fez porque o avançado grego não quis mudar-se para a China porque, na altura, estava prestes a ser pai. Luís Bernardo, diretor de comunicação dos encarnados, confirmou à Tribuna Expresso que o clube teve uma proposta por Mitroglou do clube chinês, mas que Paulo Teixeira nunca teve envolvido no processo.

Na extensa publicação que escreveu, Paulo Teixeira conta como, em janeiro, o clube chinês o mandatou para lhes arranjar um avançado, ao que o empresário sugeriu dois nomes: Raúl Jiménez e Kostas Mitroglou, ambos do Benfica. O mexicano, caro demais, foi descartado e, tendo o grego como alvo, entrou em contacto com Luís Filipe Vieira, que descreve como um “4 em 1: presidente, diretor desportivo, uomo-mercato e assessor de imprensa”.

Aqui, Luís Bernardo diz à Tribuna Expresso que o Benfica chegou mesmo a receber propostas também por Jiménez, mas o mexicano, como o grego, recusou transferir-se para um clube chinês.

O negócio não se fez até 31 de janeiro, dia do fecho do mercado, com a culpa do lado do clube chinês, que escolheu outras prioridades. Mas, quando as deixou de ter, voltou à carga em fevereiro, altura em que o Benfica, caso vendesse alguém, já não conseguiria arranjar um substituto em tempo útil. A história de Paulo Teixeira prosa que ao aeroporto de Tires chegou um representante do Quanjin Tianjin, para se encontrar com Vieira, que lá se preparava para voar rumo a Manchester, com Jorge Mendes, para negociar as vendas de Ederson e Lindelöf.

BORIS HORVAT

O chinês ofereceu 40 milhões de euros, Vieira não arredou pé dos 45 milhões (valor da cláusula de rescisão) e o representante, insistente, lá ofereceu a verba, pedindo 10% de comissão de venda. O presidente encarnado aceitou pagar 5%, exigiu que tudo ficasse preto no branco antes de acordar com o que fosse. Passou um tempo, sem que do Benfica houvesse novidades, até Paulo Teixeira dizer que Jorge Mendes foi posto ao barulho por Vieira e começar a falar com dirigentes do Quanjin Tianjin.

A moral da história que Paulo Teixeira conta é que o Benfica vendeu por 15 milhões de euros o que podia ter vendido por 45, arrastou Jorge Mendes para um negócio que não lhe dizia respeito, Luís Filipe Vieira tratou o representante chinês “quase como um delinquente” e tem dúvidas de que a proposta alguma vez tenha sido falada ao próprio Mitroglou.

O certo é que Kostas Mitroglou se transferiu para o Olympique de Marseille a 31 de agosto, última quinta-feira, por 15 milhões de euros. Um terço do valor que Paulo Teixeira alega ter sido proposto pelo Quanjin Tianjin, na oferta em que, supostamente, estaria envolvido. O Benfica defende que não esteve em qualquer negócio em que o empresário participasse e resume, simplesmente, que Mitroglou nunca quis ir para a China.

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