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Em Portimão não há carne para canhão

Numa noite pouco inspirada, o Benfica contou com a vitória de dois heróis improváveis para vencer o Portimonense (2-1): André Almeida... e o videoárbitro

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PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY

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"Queria deixar uma mensagem ao presidente da Federação [Fernando Gomes], ao presidente da Liga [Pedro Proença] e ao secretário de Estado do Desporto [João Paulo Rebelo]. O futebol é o desporto do século. Os montantes que circulam hoje em dia fazem desta uma área muito importante, não comparável com outras. Eu, com uma equipa de três milhões, a jogar no Dragão contra uma equipa de 80 ou 90 milhões? Isto assim não tem interesse nenhum. O V. Guimarães foi goleado na sua casa por 5-0, depois o Belenenses sofreu também cinco golos. Isto é algo que se vai ver ao longo da temporada. São resultados que não interessam à modalidade e ao espetáculo. Isto conta o campeonato dos três clubes grandes, o resto é carne para canhão".

Já lá vão duas semanas, mas esta noite é tempo de recordar as palavras de Manuel Machado, treinador do Moreirense, depois de perder, por 3-0, no Dragão, frente ao FC Porto.

É que, esta noite, na Luz, o Portimonense de Vítor Oliveira perdeu, sim senhor, mas não foi, nem de perto nem de longe, carne para canhão. Foi, isso sim, uma equipa bem organizada, com boas surpresas pelo meio - como o japonês Nakajima, que se estreou, e o veloz Wellington -, que saiu quase sempre bem para o ataque, de forma rápida e eficaz, todas as vezes que recuperou a bola.

O Benfica - com Lisandro no lugar do lesionado Jardel, Samaris (que estava castigado e cumpriu o primeiro jogo da época) no lugar de Felipe Augusto e Zivkovic no lugar de Rafa -, pelo contrário, raramente soube impedir as transições do adversário e, quando tinha a bola, também não conseguia construir jogadas de qualidade, pelo que as oportunidades de golo escassearam.

Ao intervalo, Rui Vitória indicou logo que não estava satisfeito: Cervi, muito apagado, foi substituído por Salvio. E, no início da 2ª parte, o Portimonense até estava a ser bem menos perigoso do que tinha sido na 1ª, mas bastou uma transição para chegar ao golo. Aos 56 minutos, Fabrício recebeu a bola pela esquerda, conduziu até conseguir livrar-se de Luisão e, já dentro da área, rematou para golo.

O Portimonense fez por merecer o prémio, mas a vantagem foi muito curta: dois minutos depois, Salvio desmarcou-se na área e, já perante o guardião Ricardo Ferreira, sofreu uma falta de Emma Hackman. O defesa do Portimonense foi expulso e Jonas empatou o jogo, de penálti.

Obrigada, André Almeida... e VAR

Ainda assim, o Benfica não continuava brilhante e Rui Vitória voltava a dar sinais de insatisfação: tirou Lisandro e colocou em campo Felipe Augusto, recuando Samaris. E, depois, tirou Eliseu e deu o tudo por tudo ao pôr Jiménez na esquerda, perto de Jonas e Seferovic - Zivkovic, um dos melhores, fez de falso lateral.

O Benfica teve uma ou outra oportunidade, mas o golo estava reservado para um herói improvável: André Almeida, que marcou aos 78' num remate que pareceu um cruzamento, mas que foi certeiro para o interior da baliza adversária.

Se os adeptos pensaram que a reviravolta poderia indicar que o Benfica finalmente teria sossego na Luz, enganaram-se redondamente. A equipa continuou desequilibrada defensivamente e o Portimonense assustou por várias vezes - e conseguiu mesmo o golo, aos 88'. Só que Manafá estava ligeiramente adiantado quando recebeu a bola que iria ser enviada para a área, para o golo de Fabrício, e o videoárbitro entrou em ação para indicar a ilegalidade do lance.

E, depois de um susto em Vila do Conde (1-1), o Benfica conseguiu escapar, por um triz, a novo sobressalto - como também já tinha acontecido em Chaves (e como também aconteceu esta noite com o Sporting, em Santa Maria da Feira). Moral da história: se calhar isto até nem é assim tão desequilibrado quanto isso...