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Benfica, we have a problem

Depois da derrota na Liga dos Campeões, o primeiro desaire no campeonato: o Benfica perdeu frente ao Boavista por 2-1, num encontro em que aconteceu tudo que tem corrido mal aos encarnados nas últimas semanas. Das lesões até à incapacidade de controlar um jogo. Há problemas para os lados da Luz

Lídia Paralta Gomes

FRANCISCO LEONG/Getty

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É um pouco como aquele acidente que parece estar prestes a acontecer. Depois do empate frente ao Rio Ave, da vitória à tangente contra o Portimonense e da derrota em casa frente ao CSKA de Moscovo, na estreia da Champions, tudo partidas em que o Benfica não jogou bem e teve problemas mais que muitos em controlar as operações, chegou a derrota no campeonato. E tal como no jogo a meio da semana, o Benfica também começou a ganhar, para permitir ao Boavista virar o marcador, após uma entrada de peito feito depois do intervalo dos axadrezados e de uma ajudinha de Bruno Varela.

E agora sim, é caso para dizer: Benfica, we (might) have a problem.

Há jogos que de alguma forma sintetizam todos os problemas de uma equipa e este será um deles. O Benfica até entrou bem e marcou cedo, por Jonas aos 7 minutos, após um cruzamento de Zivkovic. Foi o único lance de perigo iminente de uma 1.ª parte que foi viva, mas pouco interessante.

No 2.º tempo, o céu abateu-se sobre os encarnados. Começou logo com a lesão de Salvio, mais uma e já começam a faltar dedos para contar todos os jogadores que já passaram pelo boletim clínico do Benfica. Seguiu-se a atitude do próprio Boavista, em jogo de estreia do novo técnico Jorge Simão. Com a entrada de David Simão para os últimos 45 minutos, a equipa da casa ficou mais rápida, mais afoita, enquanto o Benfica mostrava os problemas de sempre: dificuldade em controlar a vantagem com bola, dificuldade em lidar com a pressão feita a Pizzi e a Jonas e a dificuldade em jogar sem Fejsa, o pêndulo Fejsa, o homem que como um relógio suíço controla as transições do Benfica.

O empate não demorou e justificava-se: o Boavista, que na verdade nunca foi abaixo com o golo do Benfica, foi crescendo na confiança e aos 55 minutos marcou após um lançamento lateral longo, à inglesa, que ninguém conseguiu sacudir. A bola passou de cabeça em cabeça entre os jogadores encarnados e quando Renato Santos a colocou no chão deu dois passos e rematou forte para a baliza de Bruno Varela.

FRANCISCO LEONG/Getty

O Benfica sentiu o golo e tentou partir para cima do Boavista, mas Pizzi continuava muito pressionado a jogar muito atrás. E o Boavista, mesmo apertado, não se encolhia, tornando o jogo, por esta altura, interessante e imprevisível.

E quando o Benfica estava a ficar mais perigoso, Bruno Varela assinou a sentença dos encarnados. Num livre direto, aos 75’, Fábio Espinho rematou com força e colocado, mas ao alcance do guardião encarnado, que leu o lance, tentou agarrar a bola, mas deixou a fugir por entre os dedos.

Com a primeira derrota no campeonato (e segunda seguida) a pairar, Vitória mexeu taticamente mas sem grandes resultados: Grimaldo passou a jogar a extremo - e foi nas suas arrancadas que o Benfica ainda conseguiu criar jogo. Gabriel Barbosa entrou para dar mais força ao ataque, mas o melhor que conseguiu foi um remate e um lance caricato com Rafa: com os dois em posição para marcar, a bola acabou por bater na canela de Gabi que, assim, ainda está sem gol.

Desta forma o Benfica pode colocar-se desde já em posição complicada: com FC Porto e Sporting estóicos, os encarnados já vão em cinco pontos perdidos.

E com ou sem as comparações que Rui Vitória diz não gostar, há problemas lá para os lados da Luz.