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Este Benfica não está para vantagens (nem para ganhar)

Há três jogos que o Benfica não vence e há três jogos que deixa fugir vantagens no marcador. O empate (1-1) com o Sp. Braga no primeiro jogo do Grupo A da Taça da Liga é mais um episódio de um momento de crise que se vive na Luz, onde os assobios e os olhares ansiosos vindos das bancadas mostram que os adeptos estão a ficar impacientes

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Não são contas difíceis de fazer: pouco mais de uma semana, três jogos e três vezes que o Benfica deixa fugir uma vantagem. Uma série terrível que começou na Champions, no jogo frente ao CSKA Moscovo, passou pela derrota no Bessa para o campeonato e teve agora mais um episódio, frente ao Sp. Braga, para a Taça da Liga, jogo em que o Benfica marcou primeiro para decair na 2.ª parte e permitir o empate aos minhotos.

Ouviram-se assobios na Luz, semblantes preocupados vieram das bancadas, unhas foram roídas até ao tutano: o Benfica não ganha há três jogos, não joga bem há muitos mais.

Dentro do campo, o Benfica não é muito diferente. É ansioso quando está em dificuldades, decide mal quando se vê em apertos. E isso notou-se muito depois do empate do Sp. Braga, aos 68 minutos, quando Ricardo Ferreira irrompeu na área após um canto, sem grande marcação e cabeceou para o fundo das redes da baliza de Júlio César.

Porque antes disso o Benfica, a jogar com oito caras novas face ao encontro no Bessa, mostrou um pouco mais do que havia mostrado em casa do Boavista. Krovinovic, vindo de longa lesão, deu um pouco de toque de bola a um meio-campo em que tem faltado muita criatividade e Jiménez, na frente, bem, fez aquilo que Jiménez normalmente faz quando é titular.

Aos 11 minutos já tinha marcado, na sequência de um livre estudado, de uma bola longa que Filipe Augusto enviou para o 2.º poste, onde a cabeça de Jardel a colocou para a ‘molhada’. A defesa do Sp. Braga ainda afastou mas na ressaca o mexicano rematou forte e marcou o 11.º golo nos últimos 12 jogos em que entrou no onze inicial. E com direito a dedicatória para o seu México, que por estes dias sofreu nova catástrofe natural.

Três jogos sem vencer para o Benfica: há preocupação na Luz

Três jogos sem vencer para o Benfica: há preocupação na Luz

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

A 1.ª parte foi engraçada, na medida em que não parecia nada um jogo de Taça da Liga. Apesar das inúmeras mudanças nos dois onzes, o jogo estava longe de ser arrastado e sonolento. E se nos primeiros 20 minutos foi o Benfica a mexer mais, com algumas jogadas de combinação interessantes, daí para a frente foram os minhotos a pegar no jogo. Ainda assim, o Benfica era sempre mais perigoso quando chegava à área, nomeadamente quando André Almeida não tentava um cruzamento.

Aos 30 minutos, Samaris lançou Rafa com um passe de trivela ainda antes do meio-campo e a saída extemporânea do antigo-futuro-guarda-redes do Benfica, André Moreira, terá até surpreendido o internacional português, que deu mal na bola. Seis minutos depois, Eliseu sacou de um daqueles remates fortes e cheios de efeito que tantas alegrias deram aos adeptos do Málaga. Moreira só conseguiu defender para a frente.

No 2.º tempo, e como tem sido apanágio esta época ali para os lados da Luz, a qualidade de jogo caiu muito, inicialmente dos dois lados - nos primeiros minutos houve mais faltas e jogadores no chão do que exatamente momentos de futebol - e, a partir de certa altura, apenas do lado do Benfica.

Ainda antes do golo de Ricardo Ferreira, a fazer o primeiro jogo desde maio, Hassan podia ter marcado. Valeu a grande defesa de Júlio César, após um remate que se seguiu a um movimento rápido do egípcio na área, que trocou as voltas à defesa do Benfica.

Depois do golo, Rui Vitória lançou Jonas e Pizzi (já antes tinha lançado Zivkovic) mas nada melhorou particularmente. Entre assobios das bancadas e os tremores dentro das quatro linhas, foi tudo mais na trapalhada do que na calma e o mais perto que o Benfica esteve de marcar foi num momento de inspiração de Jonas, um remate em vólei à entrada da área, já depois dos 90’, que André Moreira defendeu com classe.

E assim se dá mais um empate do Benfica, frente a um Sp. Braga que foi competente e mostrou mais que os encarnados em termos ofensivos e de construção, pormenor em que João Carlos Teixeira começa a assumir um papel fulcral na manobra dos minhotos.

Da parte do Benfica, há que tirar dois ou três aspectos positivos: a vontade de Gabriel Barbosa, que neste momento é ainda apenas isso mesmo, vontade, e o jogo de Krovinovic, bom tecnicamente, capaz de dar algo mais ao meio-campo encarnado.