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Fejsa: descomplicador de tarefas, soldado contra a crise e melhor jogador do mundo benfiquista

A vitória do Benfica sobre o Paços de Ferreira tem a impressão digital do jogador sérvio em todo o lado. Com ele, tudo parece fluir. Até os golos

Pedro Candeias

JOSE MANUEL RIBEIRO

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Então é assim:

O futebol é um jogo curioso em que o jogador mais importante da equipa não é necessariamente o melhor jogador da equipa, ou sequer o mais habilidoso, vocês sabem qual é, aquele que é a alegria da malta que paga um bilhete cada vez mais caro para ver o número circense dos mais dotados.

Esse não é Fejsa.

Quem viu os últimos jogos do Benfica (sem ele) e este (com ele), vai reparar que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa inevitavelmente melhor. Contra o Paços de Ferreira, o Benfica foi intenso em períodos demorados, cruzou, fintou, marcou dois golos e falhou uns quantos, chutou três bolas aos proverbiais ferros e, pasme-se, conseguiu controlar o jogo até ao fim.

Ora, isto aconteceu porque Fejsa voltou ao onze e os outros 10 sentiram aquele alívio da miudagem no parque quando há um adulto por perto - eles sabiam que podiam fazer asneiras e disparates, que o primo mais velho estava lá para limpar a trapalhada.

Foi assim que Pizzi passou a jogar mais à frente, perto de Jonas, para repetir o que tantas vezes fizeram na época passada. Por outro lado, foi assim também que o Benfica começou a pressionar na saída de bola do Paços, sufocando o frágil adversário até aparecer o erro ou o corredor para explorar.

E fê-lo sem o stress normal de quem não tem olhos na nuca e se põe a pensar no que se estará a passar nas suas costas: será que o Whelton vai fugir por ali?, será que o Xavier consegue passar pelo gajo?

É que mesmo havendo um buraco entre a defesa e o ataque - e ele existe, porque o Benfica a isso obriga - esse espaço estaria a ser ocupado por Fejsa, o mais ubíquio dos futebolistas encarnados - ou melhor, o único futebolista ubíquo dos encarnados.

Portanto, enquanto Pizzi, Jonas, Zivkovic, Cervi e Seferovic foram construindo ideias, e Grimaldo ensaiando correrias na linha, Fejsa ligou o GPS para descobrir os caminhos que os pacenses poderiam explorar - e barrou-lhes a estrada. Cortando-lhes jogadas, antecipando as mesmas, ou simplesmente aparecendo na zona sem grandes correrias, como se soubesse sempre o que é que iria acontecer- a isto chama-se, dizem os entendidos, ler o jogo. Depois, com a bola recuperada, Fejsa foi simples de processos (Filipe Augusto terá tirado umas notas), virou e acelerou o centro do jogo com alguns passes longos, e empurrou figurativamente os colegas para um triunfo fácil com um grande golo de Cervi (na primeira-parte) e o golo do costume de Jonas (na segunda-parte).

O Benfica aproximou-se do Benfica de 2016-17 e toda a gente lhe reconhece o talento do meio-campo para a frente tal como lhe reconhece a escassez de soluções para uma posição específica como a de Fejsa. Em podendo, aquela caixa mágica encarnada do Seixal deveria ir ao futuro, clonar Fejsa e voltar com uma nova história por contar. Rui Vitória agradeceria.