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Agora sim, já o podemos tratar por Gabigol

Frente ao Olhanense, um momento de magia de Gabriel Barbosa aos 4 minutos valeu a passagem do Benfica à 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Mas para lá disso, não se viu muito mais dos encarnados que, a jogar com vários dos habituais titulares, nunca foi uma equipa dominadora e sentiu mesmo algumas dificuldades em segurar o adversário nos minutos finais da partida

Lídia Paralta Gomes

Luís Forra/Lusa

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Não se pode dizer que as primeiras eliminatórias do Benfica na Taça de Portugal tenham sido pacíficas nos últimos anos. Nas duas últimas temporada, e sempre frente a equipas de escalões inferiores, os encarnados só resolveram a questão para lá dos descontos. A vitória deste sábado frente ao Olhanense foi também tangencial, por 1-0 apenas, ainda que desta vez o golo tenha aparecido cedo, logo aos 4 minutos.

Mas, verdade verdadinha, com golos mais ou menos madrugadores, as dificuldades existiram. Porque, ao longo do jogo, as diferenças nunca foram assim tão grandes, isto se tivermos em consideração que a) o Benfica é campeão nacional, b) o Benfica jogou com vários dos habituais titulares e c) o Olhanense está de momento no terceiro escalão do futebol nacional.

Ou seja, se o Benfica tinha pensado neste jogo para recuperar o seu mojo, falhou redondamente.

Porque depois do golo do avançado anteriormente conhecido por Gabriel Barbosa, mas que agora já podemos tratar por Gabigol (e que golo, amigos, que golo, chapéu com o peito do pé merece nota artística máxima), não houve muito Benfica, a não ser nas oportunidades desperdiçadas por Rúben Dias ainda antes do intervalo, que obrigou o guardião Cléber Santana a chamar o seu inner De Gea para defender um remate à queima-roupa, e por Diogo Gonçalves, que já na 2.ª parte puxou a culatra atrás e deixou a barra da baliza do Olhanense a abanar durante uns bons segundos. E mesmo aqui estamos a falar de dois lances que surgem após um livre e uma iniciativa individual, respetivamente.

De resto, tudo muito amorfo. Seferovic parece com a cabeça em todo o lado menos num campo de futebol, Krovinovic não se viu por aí além, Rafa voltou a mostrar um certo medo pela baliza (voltou a falhar um golo feito) e Douglas, em estreia absoluta, foi mais vezes ultrapassado por Jefferson do que um Renault 5 numa autoestrada (como é que dizia mesmo o Afonso da Maia? “Má estreia, filho, péssima estreia!”).

Luís Forra/Lusa

Jefferson que, diga-se, face às dificuldades do lateral brasileiro, terá perdido uma boa oportunidade de ser uma espécie de Ivo Damas desta Taça: rápido, repentista, talentoso, o guineense que está emprestado ao Olhanense pelo Sporting foi um terror do lado direito do ataque.

Portanto, a poucos dias das águias receberem o Manchester United para a Liga dos Campeões, neste Benfica valeu Svilar, que aos 18 anos se tornou no mais jovem guarda-redes a vestir a camisola dos encarnados e que só precisou de dois minutos para mostrar que, muito provavelmente, é o melhor guarda-redes do plantel, alguns (poucos) flashes de Gabriel Barbosa (ai desculpem, Gabigol) e, pasmem-se, Luisão, que nos últimos minutos do jogo teve de chamar a si toda a sua força de vontade para limpar as tentativas do Olhanense para chegar ao empate - e foram bastantes.

Para que não haja dúvidas, o objetivo principal do Benfica foi conseguido: vitória e passagem à 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Mas esperava-se mais do que ver a equipa de Rui Vitória a sofrer nos últimos 10 minutos, a rezar pelo apito final do árbitro.