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Status update: num relacionamento sério com Krovinovic e Pizzi

Pela primeira vez, o médio croata foi titular no campeonato, manteve-se perto de Jonas e, sobretudo, de Pizzi. O Benfica teve três homens bons de bola ao centro do campo, jogou mais e melhor e, mesmo sofrendo na segunda parte, saiu de Guimarães com uma vitória (3-1) e com um dos jogos que mais controlou, e dominou, esta época

Diogo Pombo

JOSÉ COELHO / Lusa

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Entre o não dizer as coisas, mas dizendo-as, com aquele seu jeito de camuflar o discurso com todos os artifícios possíveis, lugares-comuns e diplomacias inofensivas de que dispõe, pareceu-me que Rui Vitória, quando anteviu o jogo do Benfica contra o Vitória, quis passar uma ideia: isto vai ser um jogo difícil, num campo difícil, onde eles pressionam e correm e lutam e são empurrados por um estádio vive o futebol na guelra e cria um ambiente que os inflaciona.

O treinador do Benfica, depois, deu a entender que iria a Guimarães com o maior número de tipos técnicos, bons de bola, que pensam com ela e a usam com critério, para não cair no engodo de jogar o jogo só correndo e lutando. Entre metáforas com maratonas, combates de boxe, análises “estratosféricas” e “depois catastróficas”, e o “não vou falar dessas coisas” para responder a perguntas sobre futebol a sério, lá apareceu Jonas com Pizzi e Krovinovic perto dele.

E aí percebemos o que Rui Vitória quis dizer quando falou na necessidade de ter jogadores “que percebam a nascença e o destino da bola”.

Traduzindo do ruivitoriês, ele rendeu-se à evidência de que, para uma equipa a passar por uma forma assim-assim, perra e sem ideias ou intensidade recentes, a solução talvez passasse por juntar ao centro do campo os jogadores do plantel que melhor se dão com a bola. E confiar nisso, cegamente, quer eles estejam numa forma enferrujada (Pizzi), sem ritmo de jogo (Krovinovic) ou que tal implique fazer um deles jogar sozinho, na frente, algo que não o favorece (Jonas).

A confiança resultou, e bem, porque mesmo com o brasileiro mais sozinho que o costume, o 4-3-3 a atacar era uma espécie de 4-5-1 a defender. A muita gente ao meio tapou os espaços ao Vitória, nunca o deixou jogar pelo meio e obrigou-o a remeter-se a bolas altas e bombeadas para as laterais. Quando os vitorianos, ainda assim, arriscavam, Pizzi e Krovinovic estavam perto um do outro para combinar, passar, tocar e ordenar assim que a equipa recuperava a bola. Jogando simples, sempre.

Do português saiam passes de um lado ao outro do campo e do croata resultou uma recuperação de bola, uma tabela com André Almeida e ele a estar na origem da jogada que acabou com um cruzamento rasteiro para Jonas, pois claro, finalizar (22’) na área. Os dois médios e o lateral, com Fejsa, foram quem mais tocou e passou a bola na primeira parte, enquanto Salvio e Diogo Gonçalves faziam diagonais para darem espaço ao brasileiro dos pés de lã.

Estava a ser, talvez, o jogo mais controlado e dominado pelo Benfica da época, apesar de não muito vistoso, rematador ou empolgante. Mas a equipa estava bem, calma e - o que mais tem faltado - constante.

Uma constância que desapareceu na segunda parte, em que o Vitória pressionante, maluco, rápido, com os jogadores a lutarem com tudo e a morderem a campo inteiro de que Rui Vitória falara, foi mesmo esse Vitória. Os encarnados, pressionados e com menos espaço para jogar, eram atropelados nas segundas bola, juntaram as linhas mais atrás e sofreram com os cruzamentos que os de Guimarães já conseguiam fazer perto da área.

Pizzi e Krovinovic sofriam mais faltas, não eram capazes de ter a bola de frente para o campo e o Benfica, durante uns 20 minutos, emperrou. Existiu lento, sem ideias e aos repelões como tem existido em muitos jogos da temporada, com os jogadores desligados e sem Jonas à vista, para segurar a bola. O médio português despareceu, notou-se que ainda não está com a forma que não o abandonava nos últimos dois anos, e foi substituído.

O bom para o Benfica foi que tanta pressão e atitude apenas foi perigosa numa bola rematada por Heldon, à beira da área. E que o tal Vitória não durou muito para lá dos 60 minutos, quando o cansaço de jogar como se o futebol fosse abolido por lei a partir do dia seguinte começou a pesar. Os encarnados voltaram a ter espaço e já tinham o músculo de Samaris, que aguentou agarrões e empurrões, depois de receber um passe de Jonas, para aproveitar o buraco deixado pelo engodo criado pelo brasileiro, em que a defesa adversária caiu, e fazer o 2-0.

Três minutos passaram até o Vitória defender um lançamento lateral, antes da linha do meio campo, como infantis, e dar espaço para Diogo Gonçalves lançar Salvio e o argentino, com classe e apesar dos olhos vidrados na relva, picar a bola sobre o guarda-redes e marcar o 3-0. Depois foi aguentar, fechar, fazer faltas e lutar o quanto bastasse, não evitando o atabalhoanço também a defender o lançamento lateral que resultou no golo de Rafael Martins (86’) e a cometer o penálti que Tallon fez voar por cima da barra, segundos antes do fim.

Um fim ao qual chegou Krovinovic, o pequeno, calmo e passador croata, titular pela primeira vez no campeonato, que não resolve tudo sozinho, mas resolverá muita coisa se coincidir com (sobretudo) Pizzi e Jonas no campo. Juntar os melhores e os bons de bola e fomentar um relacionamento sério entre eles nunca fez mal a ninguém.