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Vieira: “Sporting, com alianças, ficou sempre pelo caminho. Não vão ganhar nada, depois não se queixem”

O presidente do Benfica diz-se orgulhoso pelos 14 anos no cargo. Admitiu que já teve de tomar “três ou quatro” decisões difíceis e recordou uma delas: “convenci o Vilarinho a construir o novo estádio no Barbas a um domingo”

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Luís Filipe Vieira passou em revista os 14 anos de presidência do clube (e mais dois ao lado de Manuel Vilarinho), em entrevista à Benfica TV, gravada no Museu Cosme Damião. Vieira fala “num grande orgulho” em ser o líder há mais tempo no cargo, o que significa que tem “a confiança de todos os benfiquistas”. Lembrou os primeiros tempos, falou nas decisões difíceis e nos métodos de trabalho.

Costumo dizer que mesmo a dormir estou com um olho aberto”, disse Luís Filipe Vieira esta sexta-feira à noite. “Por vezes, às 5h já estou a mandar mensagens a alguém do Benfica. Acho que nesta casa somos todos exigentes, mas quero fazer as coisas tão rápido que exijo muito das pessoas e de mim também. As pessoas têm de estar disponíveis para me aturar a qualquer hora”, acrescentou.

Ao longo destes anos de presidência, Vieira teve “três ou quatro” decisões muito difíceis para tomar. Um delas, recordou, foi convencer Manuel Vilarinho a construir o Estádio da Luz: “aconteceu a um domingo, no Barbas”. “Foi a decisão mais difícil, mas estava certo que teríamos sucesso e era uma forma de todos os benfiquistas reativarem a sua paixão pelo Benfica”, contou. Depois, enumerou mais duas: dizer a Fernando Santos que já não seria treinador do Benfica e a continuidade de Jorge Jesus (“contra tudo e contra todos”, sublinhou).

Se calhar tinha aprendido com Fernando Santos”, admitiu o presidente dos encarnados. “Sou emotivo, gosto de ouvir, reajo rápido e faço as coisas com muita paixão e convicto de que será o melhor para o Benfica”, acrescentou.

FC Porto “enxovalhou - ou tentou - a instituição Benfica

Questionado sobre o caso dos e-mails, Luís Filipe Vieira garantiu que “há seis meses” que é cometido semanalmente contra o Benfica. “Não há nem nunca haverá corrupção no Benfica”, assegurou, garantindo que nunca leu algum e-mail. O presidente encarnado sublinhou ainda que, neste momento, existem dois clubes grandes em Portugal, “ um que não ganha há 15 anos” e outro “que estava habituado a ganhar muito, mas não ganhou nada nos últimos quatro anos anos” e que por isso veio colocar em causa as vitórias do Benfica. "O Sporting, com alianças, ficou sempre pelo caminho. Não vão ganhar nada, depois não se queixem"

O FC Porto tem andado um pouco desesperado e teve a ousadia de fazer o que chamo um crime. Enxovalhou - ou tentou - a instituição Benfica. Quis criar medo. No jogo frente ao Aves, tivemos quatro capangas ligados a esses senhores”, acusou Vieira. “Foi muito importante que houvesse uma investigação. Estiveram no Benfica e foram a minha casa. Mexeram, não teve problema nenhum”, acrescentou.

Sobre Rui Vitória e os pontos em atraso no campeonato, o presidente do Benfica desvalorizou e considerou que “não é nada irrecuperável”, que “de um momento para o outro, as coisas dão a volta”.

Os benfiquistas identificam-se com o treinador. Posso garantir que tem mais dois anos de contrato e vai cumprir. Não vale a pena dizerem que está sujeito aos resultados. Tive uma conversa com o Vitória: independentemente do que acontecer, vais ser o treinador do Benfica. Se tiver de renovar, renova”, disse Luís Filipe Vieira.

Vieira diz que há ainda muito para fazer e um dos maiores desejos é a construção do centro de alto rendimento (“não será neste mandato, mas está a avançar”, revelou). Está ainda planeada a expansão do centro de estágio no Seixal, a construção de um colégio e mais. “O que estamos a fazer um edifício com cinco mil metros quadrados, queremos mais seis campos, mais um polo com 150 camas, um colégio, a casa do atleta, o hotel do Benfica, o centro de alto rendimento em Oeiras. A rádio Benfica terá de ser uma realidade no primeiro semestre do próximo ano”, garantiu.

“Ainda não estou cansado e se os benfiquistas assim o entenderem irei concluir a visão completa do que estava a falar. Trabalhei com o Manuel [Vilarinho] durante três anos e estava preparado para ser presidente. O meu primeiro desafio como presidente foi profissionalizar o Benfica porque sentia essa lacuna. Para chegarmos ao ponto onde chegámos, é sinal de que a medida foi certa.

Vieira admite que o seu sucessor poderá ser alguém que lhe é próximo, no entanto lembra que a escolha do presidente cabe aos benfiquistas. “Vou tentar que seja alguém que tenha estado comigo a trabalhar num mandato completo e que tudo aconteça com naturalidade, pois é impensável voltar para trás”, defendeu.