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Entre os cavalos que passam, Cervi foi o jóquei vencedor

Argentino aproveitou a oportunidade e no regresso ao onze de Rui Vitória fez um golo e uma assistência no triunfo do Benfica frente ao V. Setúbal por 2-0, jogo em que Krovinovic também brilhou. Os encarnados estão nos oitavos-de-final da Taça de Portugal

Lídia Paralta Gomes

TIAGO PETINGA/LUSA

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Ele há metáforas e metáforas. E sobre oportunidades, normalmente usam-se metáforas ferroviárias, com comboios que se perdem ou que se apanham e adágios análogos. Na conferência de imprensa de antevisão ao encontro deste sábado frente ao V. Setúbal, Rui Vitória inovou, evocando uma metáfora equestre, substituindo comboios por cavalos que passam e por jogadores que sabem ou não montar.

Isto torna tudo um pouco mais westerniano, o que tem graça, mas no fim das contas a ideia é a mesma: há quem saiba aproveitar as oportunidades e há quem não saiba.

E no jogo que valeu ao Benfica o bilhete para os oitavos-de-final da Taça de Portugal, com uma vitória por 2-0, houve um jogador que soube montar o cavalo, saltar uma série de obstáculos sem derrubar e atravessar graciosamente a meta. Cervi, Franco Cervi, um daqueles futebolistas que até causa estranheza que esteja metido nesta discussão sobre “oportunidades”.

O argentino tem andado meio arredado das escolhas de Vitória, de forma algo incompreensível e este jogo só o demonstrou. Porque é dele o primeiro golo e dele a assistência para o segundo, marcado por Krovinovic, rapaz que parece ter já apanhado o cavalo certo em direção ao onze do Benfica e que foi, também ele, um dos melhores em campo.

Porque de resto o jogo do Benfica foi mais feito de cavalos meio selvagens, sem grande rédea ou direção, como é o caso de Rafa, que correu muito mas sem grandes resultados, ou de Jonas, esta noite um pouco mais perdido sozinho no ataque. Mérito também para um V. Setúbal que jogou aberto, que soube pressionar e criar problemas à defesa do Benfica e que na 2.ª parte teve um par de oportunidades para empatar, antes dos encarnados matarem o jogo a 10 minutos do fim.

Jonas, fazendo reverência ao mago Krovinovic, muito provavelmente o melhor em campo

Jonas, fazendo reverência ao mago Krovinovic, muito provavelmente o melhor em campo

TIAGO PETINGA/Lusa

Num encontro mais feito de emoções do que de fundamentos futebolísticos, a primeira parte teve um Benfica mais arrebitado a abrir: aos 6 minutos Krovinovic recebeu um passe atrasado de Rafa e rematou para defesa apertada de Cristiano, que aos 23’ seria também decisivo ao defender um cabeceamento de Luisão quase à queima-roupa.

Não conseguiria no entanto fazer nada para travar o remate de Franco Cervi dois minutos depois, numa jogada estudada, ou melhor, bem estudada do ataque encarnado. Após um canto, Luisão arrastou dois adversários e deixou a bola seguir para o argentino que já fora da área rematou cruzado e rasteiro, mesmo ao cantinho da baliza sadina.

A equipa de José Couceiro começaria a aparecer depois do golo, mas só aos 34 minutos, através de um remate em arco de João Amaral, conseguiria criar algum perigo. O bom momento sadino estendeu-se para a 2.ª parte, que começou com uma grande oportunidade para André Sousa, que falhou o remate após Arnold ter trocado as voltas a Grimaldo.

Aos 60 minutos, Bruno Varela salvou os encarnados por duas vezes na mesma jogada, fazendo frente a remates de Arnold e Semedo, numa altura em a estatística das faltas ia subindo à velocidade da inflação do Zimbabué e o jogo ficava partido e ainda mais imprevisível.

Mas verdadeiras oportunidades só surgiriam lá mais para o final. E na sequência de um falhanço de João Amaral, que praticamente isolado rematou contra as pernas de Varela, o Benfica marcou, numa das poucas jogadas de entendimento no ataque, com Krovinovic a construir e, merecidamente, diga-se, a concluir. A bola passou por uma série de vezes pelo elétrico croata até chegar ao norte-americano Keaton Parks, lançado a meio da 2.ª parte. Este abriu para Cervi que à segunda encontrou Krovinovic na área e rematou certeiro.

Rumo aos oitavos, seja de comboio ou de cavalo.