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Há vida além da dieta (ou como emagrecer o plantel do Benfica)

Os zero pontos, as cinco derrotas, o único golo marcado e os 12 sofridos em 450 minutos de Liga dos Campeões são o mais negativo que há na época do Benfica. Com o mercado de inverno aí a chegar, estes são os jogadores com que o clube poderá/deverá/terá de fazer algo para mudar

Diogo Pombo

IAN KINGTON

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Quando as coisas estão mal, mudam-se. E quem está mal, muda-se. São duas banalidades que vão dar ao mesmo, que é à necessidade de se ter de alterar algo quando nada, ou pouco, acontece como queremos. No futebol, esta frase comum é um lugar onde os clubes se veem muitas vezes, porque quando se perde mais do que ganha ou não se vence tanto quanto se quer, costuma-se mudar uma de duas coisas, ou até as duas ao mesmo tempo - o treinador ou os jogadores.

No caso do Benfica, os números sugerem que se mude. Em 20 jogos esta época, 11 vitórias, três empates e seis derrotas. Eles pioram se forem aprofundados, pois neles há uma vida dura e má na Liga dos Campeões, mesmo que Rui Vitória a banalize, dizendo que “há vida para além” do que se faz na competição que mais prestígio, dinheiro e atenção atrai: cinco partidas, cinco derrotas, um golo marcado e 12 sofridos em 450 minutos num grupo com Manchester United, CSKA de Moscovo e Basileia, no qual calhou como cabeça de série do sorteio.

Como estamos quase a chegar a 1 de janeiro e ao badalado mercado de inverno, quando os clubes podem voltar a pegar no cesto de compras e esvaziá-lo ou enchê-lo como entenderem, pode ser altura para se mudar alguma coisa. No Benfica, essas mudanças deverão passar por jogadores a sair para, talvez, entrarem outros. Ou saírem, simplesmente, por não jogarem/renderem/serem úteis.

Porque no clube há um contexto que torna pouco provável que, a meio da época, se mude na outra coisa, no treinador. Há anos que Luís Filipe Vieira lembra e repete que o ato do qual mais se arrependeu, como presidente, foi despedir Fernando Santos ao fim de dois jogos, em 2007/08. Mesmo que o “Record” faça capa com um LFV “zangado” perante o que se passou em Moscovo, na quarta-feira (derrota por 2-0 frente ao CSKA).

Como tal, a Tribuna Expresso olhou para o plantel encarnado e escolheu nomes que, por uma razão ou por outra, poderão sair do Benfica. Emagrecendo e fazendo alguma dieta, pode ser que algo mude:

Júlio César

O brasileiro é um caso de como tudo o que uma pessoa já foi só agrava o momento em que se olha para o que ele é hoje. Júlio César, em tempos, era dos melhores guarda-redes do mundo, fabricador de paradas impossíveis e personificador de segurança na baliza.

Mas hoje, aos 38 anos e apesar dos quase 90 jogos pelo Brasil, tem lesões e problemas nas costas que o limitam, perdeu parte dos reflexos e rapidez de reação que tinha. Errou quase sempre que apareceu esta época (quatro jogos), o que foi pouco, pois já fica atrás de Mile Svillar e Bruno Varela na ordem de escolha do treinador. É dos salários mais elevados do plantel, que não se justificará só para ter a sua voz e experiência no balneário.

JOSE MANUEL RIBEIRO

Lisandro López

Ele tem a postura de confiança, a técnica nos pés, a estampa de defesa, a velocidade para remediar erros. O argentino parece um central que deveria ser titular no Benfica e esta ideia não é de agora e já vem, talvez, desde a primeira temporada (2014/15) que cumpriu na Luz após o empréstimo ao Getafe.

O que a teoria o faz aparentar, contudo, ele contrariou, aos poucos, à medida de foi jogando. Lisandro López é errático e mostra, por vezes, falhas de posicionamento de quem peca na concentração e não será por acaso que, sem contar com Luisão - os anos passam e a discussão é sempre sobre quem o deve acompanhar -, Jardel e Rúben Dias (Lindelöf na época passada) lhe ganhem o lugar. A memória mais marcante que os adeptos guardarão deste defesa central será o golo que marcou há um ano, no Estádio do Dragão.

FRANCISCO LEONG

Douglas

Um lateral direito vindo do Barcelona. A frase poderia contentar qualquer adepto, não fosse este um lateral que, em duas épocas completas com os catalães, esteve em oito jogos e era mais visto em fotografias ou no instagram de Neymar. O brasileiro Douglas tem técnica, bom controlo de bola, associa-se aos companheiros de equipa e procura combinar, todas qualidades que mostra quando ataca.

O problema é quando tem de defender, porque sem a bola mostrou sempre falhas de posicionamento, lentidão de reação e ser bastante falível no um para um. Estando disponível, quem tem jogado sempre é André Almeida.

Michael Regan

Martin Chrien

Quem? O médio checo chegou no verão ao clube, uma compra impulsionada pelo bom que fizera no Europeu sub-21 e com sentido, face à dependência severa em Pizzi, na temporada passada, como único motor fiável para o segundo médio da equipa. Chrien apareceu 43 minutos no Benfica, divididos por duas partidas, e nem os 326 somados na equipa B, em quatro jogos, auguram que ele esteja a adaptar-se e a dar-se bem com a experiência em Portugal.

PIOTR NOWAK

Rafa

Responsável pela transferência mais cara de sempre entre clubes português, o pequeno extremo vai com oito jogos, três a titular. É o atacante mais rápido do Benfica, quem mais prospera com espaço para correr e contra-atacar, mas os 409 minutos que tem esta época mostraram-no isolado da equipa, muitas vezes eclipsado durante os encontros e a sofrer com a forma partida e descompacta com que o Benfica tem vivido.

Rafa é um extremo de toque, tabelas e combinações, precisa de gente perto dele para que, depois, seja lançado em velocidade. Não o tendo - e não conseguindo adaptar-se a outro estilo -, tem sofrido, como Zivkovic que, porém, custou menos dinheiro e terá maior projeção/potencial que o português. E há outra coisa: para quem chega tão perto da baliza, e tantas vezes, tem de finalizar mais e melhor (dois golos em 39 jogos pelos encarnados).

MIGUEL RIOPA

Gabriel Barbosa

A reputação que trazia tinha tanto de bom, como de duvidoso. Vinha aí um canhoto brasileiro com muitos bons pés, aptos a dribles e remates potentes, que se estreara aos 16 anos pelo Santos onde os craques caem das árvores, fora titular na última Copa América e se fartara de marcar golos no Brasil. Mas, em ano e meio de Inter de Milão, ganhara a fama de inconstante, de ter tiques de vedeta e de não render o que esperavam dele.

Esta última parte tem-se aplicado à quase meia temporada que leva no Benfica. Nota-se que há nele talento e potencial para fazer muito mais, só que não o faz. Além do golo marcado ao Olhanense, na Taça de Portugal, jogou apenas 148 minutos na equipa que já tem Jonas, Jiménez e Seferovic.

GIUSEPPE CACACE