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Seis razões para o sol ter voltado a brilhar e para se verem os sorrisos, etcetera e tal

O Benfica ganhou ao Vitória de Setúbal por 6-0 (sim, 6-0), com golos de Luisão, Jonas (2), André Almeida, Salvio e Zivkovic. O pesadelo europeu ficou para trás e a equipa de Vitória deixou uma imagem clara: quem tem bons jogadores, arrisca-se sempre a ganhar

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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De tudo o que se diz sobre o Benfica, há uma verdade irrefutável: a de que tem jogadores para jogar mais e melhor do que anda a jogar. Convenhamos que uma equipa que tem Grimaldo, Pizzi, Fejsa, Krovinovic, Cervi, Luisão e Jonas, e ainda Salvio, Zivkovic, Jiménez e Seferovic, uma equipa destas tem de ser candidata a ganhar troféus.

Objetivamente, o Benfica tem tantas soluções como as do Sporting, e tem mais ainda do que as do FC Porto, sobretudo tem-nas no meio campo e lá à frente, que é onde se espera que os encarnados andem contra todos os adversários da Liga, menos três.

O Setúbal, claro, não era um destes.

Portanto, se o contexto era mauzinho, porque havia a quinta derrota consecutiva da Champions e uma eliminação europeia para digerir, o adversário era bonzinho, na medida em que há uma semana fora batido no mesmo lugar por 2-0, para a Taça de Portugal e também porque… Enfim, o Vitória de Setúbal é uma formação carregada de talentos-proveta e a viver uma - mais uma - barafunda institucional à qual se somou uma visita relâmpago de uma brigada antidoping que atrasou quatro horas um treino. Sem menosprezar, se o Benfica queria despachar fantasmas, o Vitória de Setúbal saiu-lhe melhor do que a encomenda.

Vamos ao jogo.

Como em muitos outros jogos, o Benfica entrou a carregar e, como em bastantes jogos, chegou ao golo - foi de Luisão, assistido nas alturas por Jardel. Faltava perceber se, como em alguns jogos, o adversário não iria empatar o Benfica quando a insubordinação tática e os nervos e a inconsistência gerada por um modelo de jogo (4x4x2) que precisava da intensidade de dois médios (Pizzi e Fejsa) ambos visivelmente desgastados pelo tempo e pelo uso.

É por isso que Rui Vitória andou a mexer na equipa e a transformou no 4x3x3, para ver se a coisa ganha solidez, e contra o Setúbal a verdade é que o foi. Sim, beneficiou da expulsão de Nuno Pinto a meio da primeira-parte, mas aí já ganhava por 2-0 e tinha construído oportunidades para mais golos. E, sim, aproveitou bem o facto de estar a jogar contra 10 para exorcizar alguns demónios, o primeiro dos quais a atração que a sua baliza exercia sobre os jogadores contrários. O Benfica acabou por marcar seis - Luisão, Jonas (golo 100 e 101), Salvio, André Almeida (!) e Zivkovic (frango de Cristiano) e não sofreu um.

O segundo demónio era a alegada incapacidade de Jonas jogar sozinho lá à frente, já que é um tipo que gosta de tabelinhas e de se juntar aos médios - os dois golos, a bola no ferro e a qualidade das suas movimentações e passes refutaram essa teoria. Em boa verdade, a verdade verdadinha, os melhores jogadores têm de jogar sempre, cabendo aos treinadores encontrar soluções para os encaixar.

Certo? Certo.