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Como tratar da saúde a um Estoril de peito feito mas pouco agasalhado

A equipa da Linha chegou ao Estádio da Luz com vontade de arriscar e surpreender o Benfica, mas os erros defensivos foram fatais, num jogo quase sempre nervoso e aberto que os encarnados venceram por 3-1

Lídia Paralta Gomes

José Sena Goulão/Lusa

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Aqui na Tribuna temos uma certa fraqueza por equipas pequenas que jogam como grandes. É assim, gostamos de futebol, o que é que se vai fazer. Gostamos dos que não têm medo, dos que tentam jogar de igual para igual. Dos que têm um processo de jogo e dos que têm coragem.

Mas isto não basta entrar cheio de vontade. Também é preciso arte e engenho para bater o pé aos grandes. E o Estoril bem que entrou de peito feito frente ao Benfica, mas para jogar de peito feito na Luz convém estar bem agasalhado. Que neste caso, é uma metáfora para defender bem.

É que de tanto arriscar, a camisa do Estoril acabou por rebentar.

De tal forma que apesar dos canarinhos terem entrado bem, a chegarem com facilidade à área do Benfica, ainda não havia 20 minutos no relógio e os encarnados já venciam por 2-0. E se entre o final da 1.ª parte, quando Kléber reduziu, e o início da 2.ª, o Estoril fez o Estádio da Luz ainda tremer com uma possível recuperação canarinha, o certo os erros defensivos foram demasiados e o Benfica não se fez rogado com tantas ofertas, acabando por vencer por 3-1.

Voltando então à 1.ª parte, bastou o Benfica colocar alguma velocidade no jogo para a defesa subidíssima do Estoril se esfrangalhar. Aos 13, Krovinovic pegou na bola quase na área do Benfica, acelerou, foi por ali fora e teve a sorte do corte de um dos defesas demasiado subidos do Estoril ter isolado Cervi. O argentino, que também não é um rapaz lento, olhou, viu Sálvio do outro lado e deu rasteiro para o 2.º poste onde já estava o compatriota.

Tudo muito simples, sem inventar muito.

Daí para a frente, foi como se o Benfica tivesse descoberto o mapa do tesouro, a receita para enganar a defesa do Estoril: contra-ataques e bolas nas costas na velocidade de Salvio, Jonas ou Cervi.

Aos 17’, Fejsa lançou o mais velho dos argentinos que só não marcou isolado porque a uma receção primorosa, seguiu-se um segundo toque pavoroso. Mas não demorou muito mais a resultar outra vez. Com a defesa do Estoril novamente a arriscar, Sálvio recebeu na direita e correu mais rápido que toda a gente. Jonas também já o tinha feito e quando o passe do argentino chegou ao coração da área, o brasileiro só teve de encostar.

Foi o 12.º jogo seguido de Jonas a marcar na Luz para o campeonato. O último a fazê-lo foi um tal de Eusébio, nos anos 70.

Jogo aberto

Apesar do 2-0, não se pode dizer que tudo estivesse controlado pelas águias. Porque o Estoril não abdicou de atacar e o Benfica abrandou, nunca deixando de tentar aproveitar os erros do adversário. O jogo estava perigoso. E por perigoso, leia-se, estava bom.

Kléber ainda lançou o jogo antes do intervalo

Kléber ainda lançou o jogo antes do intervalo

José Sena Goulão/Lusa

E é por isso que o golo de Kléber aos 45 minutos, a responder de cabeça a um cruzamento de Lucas Evangelista, não foi exatamente uma surpresa. Ainda antes do intervalo, o jogo estava lançado e mais ficou no início da 2.ª parte quando Jardel falhou a abordagem a um lance de ataque do Estoril e Evangelista apareceu à vontade à entrada da área para rematar. Assim o fez, sem demoras, e valeu a boa defesa de Varela a uma bola que ainda ressaltou em André Almeida.

Chegou portanto em boa altura para o Benfica o terceiro golo, inventado por um rapaz croata que teria dado muito jeito na Liga dos Campeões. Pois bem, à entrada da área Krovinovic (mais um belo jogo na condução do meio-campo benfiquista) viu Cervi, passou a bola ao argentino e foi recebê-la já em frente a Moreira. Mais um golo simples, mais um momento defensivo pouco intenso do Estoril.

Ainda houve um ameaço de que as contas poderiam não ficar por aí quando Kléber introduziu a bola às três tabelas na baliza de Varela, mas o VAR daria a indicação que o último toque do brasileiro havia sido com o braço. Estávamos no minuto 67 e a partir daí o jogo continuou como sempre havia estado, aberto, nervoso, mas a verdade é que o peito feito do Estoril encolheu-se: o Benfica já lhe tinha tratado da saúde.